Documentação crítica dos encontros

Registro das atividades organizadas pelo Grupo de Pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica desde sua criação, em 2005.

2015

22/06/2015

“Projeção /Análise /Debate de Voar é com os pássaros, de Robert Altman”. 

Expositor: Marcos Soares. Debatedor: Rubens Machado JrMediador: Francisco Alambert.

Voar é com os pássaros (Brewster McLoud, 1970), de Robert Altman, que o considerava seu filme predileto, além de o menos compreendido. Com: Bud Cort, Sally Kellerman, Michael Murphy, Shelley Duvall, Rene Auberjonois.

Filmado em 1970 em meio à vitória eleitoral e ideológica da Nova Direita e às vésperas de uma enorme reestruturação da indústria cinematográfica norte-americana que formulava uma resposta à altura da crise do dólar e da economia em geral, Voar é com os pássaros de Robert Altman é uma das mais lúcidas análises dos limites da geração dos jovens cineastas rebeldes americanos que desde o final dos anos 60 havia buscado construir uma cinematografia em consonância com as “novas ondas” europeias. Sua resposta à “Renascença de Hollywood” é de afronta de assumido “mau gosto” ao lado mais desfrutável dos empréstimos formais que essa geração fez dos “autores” europeus, processo que pode ser visto como parte do desmonte que a indústria fez do cinema autoral para disponibilizar algumas de suas conquistas, usadas em geral de maneira cosmética pelo jovem cinema americano do período. A partir desse recorte, o filme faz uma sugestiva análise dos processos de mudança do capitalismo que se iniciavam com as derrotas dos movimentos sociais da década anterior.

Marcos César de Paula Soares é professor doutor no Departamento de Letras Modernas da Universidade de São Paulo. Possui graduação em Inglês pela USP (1990), onde se doutorou em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (2000). Fez Pós-Doutorado na Universidade de Yale, EUA (2004) e na Universidade de Columbia, EUA (2012). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas Inglesa e Norte Americana, atuando principalmente nos seguintes temas: crítica materialista, narrativa e história, cinema e romance norte-americano. É autor deFigurações do falso em Joseph Conrad (Humanitas, 2013).

Francisco Cabral Alambert Junior é professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo. Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987), mestrado em História Social pela USP (1991), onde se doutorou em História Social (1998). Foi conselheiro do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico e pesquisador-bolsista em Produtividade do CNPq. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Social da Arte e da Cultura, atuando principalmente nos seguintes temas: história da cultura, história da arte, intelectuais, modernismo e crítica de arte.

ANEXO I

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08/06/2015

“O discurso aos passarinhos. Pasolini e a questão do intelectual”. 

Expositor: Alex Calheiros. Debatedor: Anderson GonçalvesMediador: Rubens Machado Jr. Relator Crítico: Guilherme Savioli 

O debate será em torno do filme Gaviões  e Passarinhos (Uccellacci Uccellini, 1964), colocando em relevo a questão do registro da fala do intelectual de esquerda numa perspectiva democrática. A grande questão que a esquerda se colocou após a grande revolução de outubro foi aquela da subjetividade revolucionária, isto é, quem é o sujeito da revolução. Neste sentido, foi Gramsci quem arejou o debate ao criticar o papel do partido, cada vez mais burocratizado e autoritário, defendendo, muito antes da crítica ao stalinismo em meados dos anos 50, justamente quando Pasolini escreve Cinzas de Gramsci, o projeto revolucionário num registro democrático. De certo modo, Pasolini pode ser lido a partir da questão gramsciana, isto é, do lugar do intelectual orgânico. Gaviões  ePassarinhos consegue colocar justamente esta questão numa perspectiva histórica, interpretando de modo original a questão a partir de seu problema linguístico. O filme é apresentado a partir da história de um pai e seu filho, respectivamente Totó e Nineto Davoli, e de um corvo. Os três então conversam ao longo de uma estrada pela periferia de Roma. Durante a conversa, o Corvo conta uma parábola medieval sobre são Francisco. A parábola retoma a famosa passagem franciscana da pregação aos passarinhos.

Alex Calheiros é professor de Ética e Filosofia Política na UnB, Universidade de Brasília. Estuda as relações entre política e estética no pensamento italiano.

Anderson Gonçalves é professor de Teoria Literária na FFLCH-USP.

ANEXO I

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01/06/2015

Esperando Telê, em 2015”. 

Expositores: Rubens Rewald & Tales Ab’SáberComentadora: Marília FrancoDebatedora: Graziela KunschMediador: Rubens Machado Jr.

EsperandoTelê (1993/2007, 90’, documentário) de Rubens Rewald e Tales Ab’Sáber

Esperando Telê é um filme curioso por tudo que ele se torna, mesmo que à revelia de seu projeto inicial. A princípio, talvez pudéssemos esperar um documentário mais convencional sobre uma personagem (Telê Santana) e seu universo (o futebol); mas, como indica o título, essa personagem não chega, e esse filme também não. O que sobra é um estilhaçamento completo dessa figura e desse mundo”. (Fábio Andrade, Cinética, 2010 <http://www.revistacinetica.com.br/esperandotele.htm>)

“Eu vi este filme sendo feito ao longo dos seus quinze anos. Para mim, que gosto de futebol, de cinema e de documentário, hoje ele é um exemplo forte do que podemos chamar um documentário de autor, em que a presença sensível do olhar dos realizadores faz parte da tentativa de realidade que se filma, e de algum modo se auto-filma.”  (Marília Franco, em debate no Maria Antonia, 2007)

“Esse filme que tem um  título tão bonito, Esperando Telê, poderia muito bem se chamar  também telê/tele/tv ou telê/tele/televisão. Ou seja, num mesmo corpo, formas diferentes de se aproximar e se distanciar desse Telê que cumpre aí uma função de pivô, análoga ao pivô num time de futebol, ou melhor, ao camisa 10 de outros tempos.” (Eduardo Climachauska, idem)

“Eu assiti a este filme duas vezes, e gostei na primeira vez que o vi e continuei gostando na segunda. No entanto eu não gosto e não entendo nada de futebol. Como é possível então que eu goste de um filme sobre futebol, que tem a pretensão de intimidade com a sua matéria, sem gostar exatamente da sua matéria? Por que é a forma com que ele resolveu a sua relação com o futebol que me interessa. Eu diria que um certo andamento que o filme tem, um certo ritmo, uma pulsação, para levar as coisas, este andamento que é, para mim, o charme do filme.” (Jean-Claude Bernardet, idem)

“Mas há algo mais embaixo: essa matéria pré-formada na verdade é um ritmo social muito brasileiro, que o Antonio Candido chamou de dialética da malandragem, a partir das Memórias de um Sargento de Milícias, romance do século XIX escrito por Manuel Antonio de Almeida. Porque o futebol, como a música popular (Zé Miguel Wisnik prepara um livro sobre essa relação), é por assim dizer nossa contribuição original para a humanidade.” (Milton Ohata, idem)

“De fato, o que está em jogo (…) é a relação subjetiva com o futebol da minha geração, que viu o bom futebol eficaz do Brasil e que correspondia ao auge do processo da modernização esperançosa brasileira, que faliu, com a de vocês, que, quando crianças tiveram em 1982 um vislumbre de um objeto desejado que não se realizou, e que é, em um nível mais amplo, como o filme deixa traços claros, a própria falência do processo de democratização brasileiro. O que significa afinal estar esperando Telê? O que quero dizer é que os nossos futebols são muito diferentes, embora o país seja o mesmo…” (Ismail Xavier, idem)

Tales Ab’Sáber é formado em Cinema pela ECA-USP, por onde é Mestre. Psicólogo pelo IP-USP, onde defendeu Doutorado sobre clínica psicanalítica contemporânea. É Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, e professor de Filosofia da Psicanálise no Curso de Filosofia da UNIFESP. Ensaísta interessado na imbricação de psicanálise e cultura, tem trabalhos publicados em revistas especializadas e também na grande imprensa. Em 2005 recebeu o Prêmio Jabuti com o livro O sonhar restaurado: formas do sonhar em Bion, Winnicott e Freud. Em 2003 publicou A imagem fria – cinema e crise do sujeito no Brasil dos anos 80. Em 2012 A música do tempo infinito, sobre cultura tecno e subjetivação contemporânea. Em 2011, Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica. Em 2014, Ensaio, fragmento.

Rubens Rewald é professor na ECA-USP na área de Dramaturgia Audiovisual, escreveu e dirigiu os longas Super Nada (2012), Corpo (2007), Esperando Telê (2009), o documentário para a TV Rainha Hortência & Magic Paula (2014), além de vários curtas. Em Teatro, escreveu entre 1994 e 2012 as peças encenadas O rei de copas (Prêmio APCA), NarraadorA BandaDo Gabinete de JoanaAutoramaAnte-CâmaraUmbigo (Premio Funarte de Dramaturgia), Escada de gizTranqueiras FraseadasCom PaixãoCaminhos e Bruxas, bruxas… e mais bruxas! Em Dança, é o dramaturgista da Cia. Nova Dança 4, com os espetáculos Acordei pensando em bombas (1999), Palavra, a poética do movimento (Prêmio APCA, 2002), Vias Expressas (2004) e Beijo (2009). Lançou o livro Caos/Dramaturgia (2005). É o Presidente da Associação Paulista de Cineastas (APACI).

Marilia da Silva Franco é graduada em cinema e concluiu o mestrado e o doutorado em Artes pela USP. Atualmente é Professora do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA-USP, ministrou cursos também em Portugal, Espanha, Cuba e Venezuela. Orientou 17 dissertações de mestrado 10 teses de doutorado, além de inúmeros trabalhos de iniciação científica e TCC nas áreas de Artes, Comunicação, Educação e Letras. Foi diretora docente da Escuela Internacional de Cine y TV em Cuba. Criou e dirigiu a TV USP – CNU-SP. Em 2002 coordenou o Projeto EDUCOM.TV. Atualmente coordena o projeto de pesquisa ARUANDA lab.doc. É pesquisadora do Laboratório FILOCOM, com apoio Fapesp, coordenado por Ciro Marcondes Filho. Atua também na área de preservação audiovisual através do CPCB – Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, tendo sido a 1ª presidente da ABPA, Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (2011-2012). Diretora do CBEAL, Centro Brasileiro de Estudos da América Latina da Fundação Memorial da América Latina.

Graziela Kunsch é artista, editora, crítica, curadora e educadora. Bacharel em Artes Plásticas pela FAAP (2001) e Mestre em Cinema pela ECA-USP (2008, Bolsa Fapesp), seu trabalho de dissertação fez parte da 29ª Bienal de São Paulo, “Projeto Mutirão”. Doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais na ECA-USP, com a pesquisa “Estou na frente da câmera mas a minha cabeça está atrás dela ou A performance do diretor”. Membro do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica. Seus projetos frequentemente implicam em um alargamento do chamado “público da arte”, relacionando-se com contextos políticos e sociais. Cocuradora dos projetos Arte e esfera pública e Esboço para novas culturas: projetos de cidades em debate (urbania4.org/debates) e curadora da mostra CINEMA PERIGOSO DIVINO MARAVILHOSO, no MIS-SP. Editora da revista Urbânia. Website: <naocaber.org>.

ANEXO I

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25/05/2015

“Un panorama del cine experimental argentino: Paradojas de la crisis”. 

Expositora: Azucena LosanaComentador: Fernando Rodrigues FriasDebatedor: Geraldo Blay RoyzmanMediador: Rubens Machado Jr.

Una revisión del cine experimental argentino de la decada de los 70 y de la nueva escena de realizadores independientes que trabajan actualmente en Buenos Aires.  Para articular estas dos generaciones es importante analizar como la situación política y social de la Argentina ha afectado a sus realizadores.

Azucena Losana: Nací en la Ciudad de México en 1977. Vivo y trabajo en Buenos Aires. Mi obra abarca el cine expandido, la fotografía, la improvisación audiovisual y el video. Mis trabajos han sido presentados en México, Chile, Argentina, Perú, Austria, España, Inglaterra, Republica Checa, Eslovaquia, Alemania y Australia. Curso la Licenciatura de Artes Multimediales en el IUNA en Buenos Aires. He cursado en Buenos Aires el taller de cine experimental con Claudio Caldini, el taller “Perdido y Encontrado” de Abigail Child. Soy parte del colectivo de cine expandido “Trinchera Ensamble” con base en México DF desde el año 2004. En 2010 obtuvimos la beca de La Fundación Bancomer en México para hacer talleres y presentaciones en México, Argentina y Uruguay. En 2013 llevo adelante, junto con el Circuito C¡NICO, la recuperación de una sala de cine experimental auto-gestionada que bautizamos como “Cinema CINCO”. En el año 2009 obtuve el Tercer Premio de Arte y Nuevas Tecnologías del Museo de Arte Moderno de Buenos Aires y la Fundación Telefónica, con el video monocanal “LoCo”. Mis films y performances se han presentado en festivales como el Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, el festival ASIM’TRIA en Peru, el festival de animación PAF en Olomuc, Republica Checa, la Semana del Film Experimental de la Plata, el Festival Internacional de Cine Independiente de La Plata FESTIFREAK, entre otros.

> Mais informações, áudio e relato do encontro

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18/05/2015

Filmar a teoria: A sociedade do espetáculo de Guy Debord”.

Expositor: Gabriel Ferreira Zacarias.Debatedor: Nicolau BrunoModerador: Rubens Machado Jr. Relator Crítico: Pedro Nishiyama Guilherme.

A sociedade do espetáculo (1973, 88’), de Guy Debord

Guy Debord é autor de uma obra diversificada, abarcando os domínios da arte, da política e da teoria crítica. Oriundo inicialmente do meio da vanguarda parisiense do pós-segunda guerra, iniciara seu percurso junto ao movimento letrista de Isidore Isou, identificando-se com a vontade de destruir o cinema. Fundou mais tarde a Internacional Situacionista, vanguarda que se deslocou paulatinamente do campo da arte para o da política, ocupando um lugar de destaque na contestação de extrema-esquerda e na inspiração do movimento de Maio de 68. Cumpriu aí papel importante o livro de Guy Debord, A sociedade do espetáculo, obra notável de teoria crítica da sociedade publicada apenas alguns meses antes da eclosão da revolta, em dezembro de 1967. Após o fim da Internacional Situacionista, decretado em 1972, Guy Debord se lança na empreitada de realizar um filme a partir de seu livro, esforço inovador de adaptação cinematográfica de uma obra teórica. O texto é apenas recortado, e sua ordem ligeiramente alterada. A ele se adicionam as imagens “desviadas” do espetáculo, segundo o procedimento de montagem que Debord batizara de “détournement”. O filme resultante não é uma simples adaptação. Podemos dizer que, em certo sentido, ele complementa a teoria, ou mesmo realiza potências latentes já na obra original. Em nossa discussão, procurarei primeiramente recompor o processo de criação do filme, servindo-me da pesquisa que realizei nos arquivos do autor. Em seguida, procurarei problematizar as consequências das escolhas cinematográficas com relação à teoria crítica contida livro.

Gabriel Ferreira Zacarias é bacharel em História pela USP, é historiador habilitado junto ao Conseil National des Universités da França. É doutor em Estudos Culturais, como bolsista do programa Erasmus Mundus, da União Europeia, tendo estudado nas universidades de Bérgamo, na Itália, Perpignan e Paris 10, na França. Realizou o primeiro estudo dos arquivos de Guy Debord, conservados na Biblioteca Nacional da França, em Paris. Ensinou no Mestrado da Universidade de Perpignan, e atualmente ministra cursos no Centro Universitário Maria Antonia, da USP, e no Instituto Tomie Ohtake.

Nicolau Bruno de Almeida Leonel é formado em Filosofia pela FFLCH-USP, mestre e doutorando em História,Teoria e Crítica do Audiovisual pela ECA-USP. Investiga o cinema militante e experimental de Chris Marker desde uma perspectiva teórica crítica e anticapitalista. É membro do grupo de pesquisa História da experimentação no cinema e na crítica, e do Grupo de estudos do cinema militante. Realiza filmes documentários desde 2003 junto aos movimentos populares de São Paulo.

ANEXO I

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27/04/2015

“Uma análise do filme de Raul Roulien, Maconha, Erva Maldita (1949)”.

Expositor: Rafael Morato Zanatto. Comentários: Henrique Soares Carneiro. Debatedor: Felipe Augusto de Morais. Mediador: Nicolau Bruno de Almeida Leonel. Relator Crítico: Geraldo Blay Roizman.

Exibiremos o filme inacabado Maconha, Erva Maldita (1949), dirigido por Raul Roulien, em que a cidade do Rio de Janeiro é palco de crimes hediondos e tráfico de maconha praticados por negros assassinos, migrantes do norte, policiais e políticos corruptos e homossexuais. Nossa análise parte de fragmentos do filme, do roteiro original, de um livro autobiográfico e do álbum de carreira do autor.

Rafael Morato Zanatto é doutorando em História pela UNESP FCL-Assis (Bolsa FAPESP), onde defendeu seu mestrado, Luzes e sombras: Paulo Emilio Salles Gomes e a cultura cinematográfica (1954-59). É pesquisador associado ao grupo de pesquisa “Experiência Intelectual Brasileira: História, imagens e notas musicais”, da UNESP-FCL Assis, FAPESP, e do grupo “Maconhabras”, do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas, da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP.

Henrique Soares Carneiro é professor de História Moderna no Departamento de História da USP. Sua linha de pesquisa atual aborda a história da alimentação, das drogas e das bebidas alcoólicas. Realizou estágios acadêmicos na França e na Rússia. Foi professor na UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto). Publicou diversos artigos para jornais e revistas acadêmicas. Entre seus seis livros: Bebida, abstinência e temperança na história antiga e moderna,Álcool e drogas na história do Brasil, e Pequena enciclopédia de história das drogas e bebidas.

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06/04/2015

“Viagem à USP: Por um cinema pedreiro”, debate com Lincoln Péricles, logo após a sessão com oito de seus filmes. Debatedor e Relator: Fernando Rodrigues Frias. Mediação de Dalila Camargo Martins.

“Por um cinema pedreiro”

Em sua esmagadora maioria, o cinema brasileiro é feito de engenheiros e arquitetos. Eles sabem, com distância, de tudo. Sabem pela mente, intelecto… e só. Claro que devem haver engenheiros e arquitetos com uma formação humana, que sabem ir além, mas ainda pertencem a uma classe e podem ou não serem traidores dela.

Falta ao cinema brasileiro um cinema pedreiro. Daqueles que na quebrada ajuda a levantar a casa do vizinho e a sua própria. Daquele que sabe ser peça, sabe ser tijolo, consciente de tudo o que circunda essa função. Cinema que saiba ser função*. O pedreiro sabe como levantar uma casa, seu aprendizado vem do corpo inteiro, o que quer dizer que é da mente também, do intelecto. O pedreiro sabe em todos seus poros ser arquiteto e engenheiro, não como condição de uma classe opressora, mas como uma necessidade bruta de levantar um espaço, um lugar, uma coisa.

Um cinema pedreiro significa revoltar-se de corpo inteiro contra uma opressão clara, opressão estética-política, opressão ideológica.

Um cinema pedreiro virá de uma formação pública em cinema de risco, ou das ruas, não das escolas de cinema e seus esquemas, que formam robôs cineastros para ganhar editais ou trabalhar dirigindo publicidade e vídeo institucional (além de suas vertentes que passam nas telas grandes). Essas escolas continuam com aconivência e apoio de artistas-professores-frustados, escolas públicas e privadas, formam cineastros e vítimas, que definham nas mãos de produtoras exploradoras e são máquinas de sugar dinheiro e cérebro.

É de um cinema pedreiro que surgirá alguma revolução na linguagem, no mundo.

“Trabalhais para a humanidade. A classe operária tornou-se hoje o único representante da grande, da santa causa da humanidade”

Mikhail Bakunin em Três Conferências feitas aos operários do vale de Saint-Imier, maio 1871. Tradução de Plínio Augusto Coelho

“Meu beck, a caixa e o bumbo e o clap

Cresci ali envolvidão qua função

Na sola do pé bate o meu coração

Esse som é do bom, dá uns dois e viaja

Nós somos negros não importa o que haja

O ritmo é nosso trazido de lá

Das ruas de terra sem luzes e pá

O fascínio não morre ele só começô

Das festa de preto que os boy não colô

Sô o que sô vivo aquilo que falo

Meu rap é do gueto e não é pros embalo

Vagabundo, se for pra somar chega aí”

*Eu Sô Função – Dexter (part Função e Mano Brown) no disco Exilado Sim, Preso Não.

Lincoln Péricles (27/8/2014)

sessão Pipa noar, Zagaia <http://zagaiaemrevista.com.br/por-um-cinema-pedreiro/>.

filmes e sinopses:

Cohab. https://vimeo.com/56119960

meu prédio:

o horizonte

as crianças

os amigos

os blocos.

um dia sóbrio no bairro do Capão Redondo, periferia de São Paulo.

Jairboris. https://vimeo.com/93649706  Boris já fez de tudo na vida. É, inclusive, o melhor ator do mundo.

O Trabalho Enobrece o Homem. https://vimeo.com/102774343  Eles dizem o que fazer. Ela Trabalha.

Aluguel: O Filme. https://vimeo.com/94226606 A reunificação pacífica não acontecerá.

Ruim é ter que Trabalharhttps://vimeo.com/99300864  Alguns dias antes da copa do mundo no Brasil, um operário reflete sobre seu trabalho.

Filme dos Outroshttps://vimeo.com/119090911 Filme realizado a partir de imagens que estavam em cartões de memória de equipamentos de filmagem roubados.

Lincoln Péricles é diretor, roteirista, fotógrafo, técnico de som, montador e professor de cinema. Seus filmes participaram de importantes festivais como a Mostra de Cinema de Tiradentes e o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. No ano de 2014 recebeu os prêmios de Melhor Montagem e Melhor Som no FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul, Melhor Roteiro no ENTRETODOS – Festival de Curta-Metragem de Direitos Humanos, Melhor Filme Paulista na Semana Paulistana do Curta-Metragem e uma menção especial pela montagem do filme “Jairboris” no FENAVID, Festival de cinema na Bolívia. Fez parte do coletivo de audiovisual “Astúcia Filmes”, contemplado pelo edital do Programa VAI nos anos de 2012 e 2013. Faz parte do coletivo Zagaia. Organiza e orienta núcleos de cinema em bairros periféricos da cidade de São Paulo. Entre seus trabalhos de maior destaque, está a montagem do longa-metragem “Mataram meu Irmão”, vencedor dos prêmios de crítica e júri na 18ª edição do festival É Tudo Verdade, do Prêmio “Governador do Estado” e do “Festival Sesc Melhores Filmes” em 2014. Nasceu e mora no bairro do Capão Redondo, periferia de São Paulo.

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23/03/2015

“Cine-debate: Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queirós”. Pré-estreia do filme em São Paulo organizada pelo jornal-site Outras Palavras. Com Rubens Machado Jr., Laura Capriglione, Douglas Belchior, Eduardo Suplicy; e o diretor (por videoconferência).  Local: Ateliê do Gervásio

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2014

15/12/2014

“A reutilização de registros amadores de guerra pelos artistas contemporâneos: Uma política das imagens sob ruído de fundo godardiano”,

Apresentação de Wagner Morales. Debatedora: Dalila Martins. Mediação de Rubens Machado Jr. Relator: Fábio Camarneiro.

Pretende-se dividir algumas dúvidas e questões à respeito da produção de imagens amadoras de guerra, a intersecção dessas imagens e a obra de alguns artistas, assim como possíveis desdobramentos políticos decorrentes de certa produção de arte contemporânea, em particular de Thomas Hirschhorn (1957, Suiça) e Clarisse Hahn (1973, França), de quem serão mostrados dois trabalhos: Gerilla (2012, 19’) e Prison (2012, 12’).

Wagner Morales produz trabalhos em diversos formatos audiovisuais e sonoros. Sua pesquisa artística explora as possibilidades da instalação, das composições sonoras e da fotografia. Enquanto cineasta, realiza documentários e ficção em vídeo e cinema. Seus trabalhos já foram exibidos em mostras, exposições e festivais no Brasil e em vários países. Em 2004, recebeu o Prêmio de Criação Visual do 14º Videobrasil (Festival Internacional de Arte Eletrônica) que resultou em uma temporada como artista convidado no Le Fresnoy – Estúdio Nacional de Arte Contemporânea, em Tourcoing, na França. Recentemente, entre 2005 e 2006, foi selecionado para o Le Pavillon, programa de residência artística do Palais de Tokyo, em Paris, França, onde realizou diversos projetos e exposições. Em 2005, finalizou o longa-metragem Preto contra Branco, documentário premiado no programa DOCTV e ganhador do Prêmio de Melhor Documentário Internacional do Festival ReelWord, em Toronto, Canadá. Entre 2006 e 2008 realizou duas exposições individuais na Galeria Virgílio, em São Paulo e participou da exposições Paralela 2008 e Nova Arte Nova, no CCBB-SP e CCBB-RJ. Em 2008, foi convidado pela 28ª Bienal de São Paulo para fazer a curadoria do espaço Video Lounge. No primeiro semestre de 2010 realizou residência artística no HIAP – Helsinki International Artist-in-residence Programme, em Helsinque, Finlândia. Recentemente, realizou individuais em São Paulo e Rio e expôs na Fondation d’Entreprise Ricard Centre George Pompidou, em Paris, e na Casa Daros, no Rio. Em 2011, defendeu dissertação de mestrado sobre a produção televisual de Jean-Luc Godard, na ECA-USP, onde é integrante do grupo de pesquisa História da experimentação no cinema e na crítica. Atualmente, realiza um doutorado na Sorbonne Nouvelle – Paris 3, no departamento de Arts et Medias e coordena o espaço independente La Maudite, em Paris.

Dalila Martins é bacharel em Audiovisual pela ECA-USP, onde faz mestrado sobre a obra de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Membro do grupo de pesquisa História da experimentação no cinema e na crítica. Como artista, já expôs alguns trabalhos em vídeo, um deles em coautoria com Carlos Fajardo. Faz parte da redação da revista Cinética.

Fabio Camarneiro é professor assistente na Universidade Federal do Espírito Santo – UFES e doutorando em Meios e Processos Audiovisuais, ECA-USP. Publicou crítica de cinema no livro Os filmes que sonhamos (org.: Frederico Machado), em jornais, catálogos de mostras e na Revista Cinética. Escreveu o roteiro do curta-metragem Curupira (2005). Foi um dos idealizadores do documentário Assombração Urbana com Roberto Piva (2004).

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08/12/2014

“Aquilo que fazemos com as nossas imagens: um filme-ensaio em diálogo”, apresentação de Fabio Camarneiro.

Aquilo que fazemos com as nossas desgraças (2014) é um filme-colagem de Arthur Tuoto que utiliza imagens encontradas na Internet para elaborar um comentário sobre a circulação do capital no mundo contemporâneo e as manifestações populares ocorridas no Brasil em julho de 2013. Tomando como base o texto da série de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville, Tuoto encontra no filme-ensaio a maneira de criar um diálogo entre o pensamento dos cineastas franceses e a realidade contemporânea.

Aquilo que fazemos com as nossas desgraças (Arthur Tuoto, 2014, 60’).

Fabio Camarneiro é professor assistente na Universidade Federal do Espírito Santo – UFES e doutorando em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo – USP. Publicou crítica de cinema no livro Os filmes que sonhamos (org.: Frederico Machado), em jornais, catálogos de mostras e na Revista Cinética. Escreveu o roteiro do curta-metragem Curupira (2005). Foi um dos idealizadores do documentário Assombração Urbana com Roberto Piva (2004).

Geraldo Blay é artista plástico, video-artista, desde 1989, graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela PUC de Campinas em 1987, Possuí Mestrado em Artes Visuais  pela UNESP/SP de título Mário Peixoto, um olhar fenomenológico. Membro do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica. Atualmente é professor universitário de História da Arte, Bidimensionalidade e Pintura nos Cursos de Artes Visuais e Design na FiaamFaam.

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01/12/2014

“Kluge e Godard: A imagem dialética no filme ensaio contemporâneo”

Expositor: Carlos Alberto Salim Leal. Debatedores: Rubens Machado Jr. Mediadora: Dalila Martins. Relator Crítico: Cauê Costa Soares. 

A partir da análise de trechos de Notícias da Antiguidade Ideológica (Alemanha, 2008) de Alexander Kluge e Filme Socialismo (França, 2010) de Jean-Luc Godard, buscaremos sustentar a hipótese de um a “afinidade eletiva” entre  problemas presentes nas produções abordadas e algumas ideias estético-filosóficas da teoria critica, presentes principalmente nas obras de T. W. Adorno e Walter Benjamin. Em especial buscaremos tematizar a presença das alegorias e sua associação com a noção de “imagem dialética, como modo simbólico capaz de abordar a experiência e sua perda nas formas sociais reificadas, às quais o indivíduo se encontra submetido no mundo contemporâneo. A partir dai buscaremos aproximar e identificar recorrências temáticas e estéticas nas obras em questão. Serão projetados trechos de Notícias da Antiguidade Ideológica (2008), 60’, e de Filme Socialismo (2010) 1ª parte, “Mouvement”, 45’.

Carlos Alberto Salim Leal é jornalista e crítico de cultura, com atuação nas editorias de cultura e política, web jornalismo e web TV. Formado em Comunicação Social,  habilitado em Jornalismo, e Mestre em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ. Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA-USP. Tem desenvolvido suas pesquisas nas interfaces entre  teoria da comunicação, filosofia social, estética e audiovisual.

Dalila Martins é bacharel em Audiovisual pela ECA-USP, onde faz mestrado sobre a obra de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Membro do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica. Como artista, já expôs alguns trabalhos em vídeo, um deles em coautoria com Carlos Fajardo. Faz parte da redação da revista Cinética.

Cauê Costa Soares é bacharel em Filosofia pela USP. Estudou com o artista plástico Carlos Fajardo e participou de oficinas com os cineastas Vicentini Gomez e José Mojica Marins, e com o teatrólogo Márcio Abreu. Criou o blog Koisas kulturais onde expõe os seus trabalhos em artes visuais e literatura, <http://koisaskulturais.blogspot.com.br/>.

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27/11/2014

“Debate com os realizadores Affonso Uchoa e Lincoln Péricles, após sessão dos filmes A vizinhança do tigre e O trabalho enobrece o homem”, na III Mostra de Cinema da Quebrada, no Cinusp, com a participação de Rubens Machado Jr. e Francis Vogner dos Reis.

A Vizinhança do Tigre

2014, digital, 95’

Juninho, Menor, Neguinho, Adilson e Eldo são jovens moradores do bairro Nacional, periferia de Contagem. Divididos entre o trabalho e a diversão, o crime e a esperança, cada um deles terá de encontrar modos de superar as dificuldades e domar o tigre que carregam dentro das veias.

AFFONSO UCHOA nasceu em São Paulo, em 1984. Atualmente, vive e trabalha em Contagem. Formado em Comunicação Social pela UFMG, é realizador e curador cinematográfico. Dirigiu os longas-metragens Mulher à Tarde (2010) e A Vizinhança do Tigre (2014).

O trabalho enobrece o homem

2013, digital, 17′

Eles dizem o que fazer. Ela Trabalha.

LINCOLN PÉRICLES diretor, roteirista, montador e professor de cinema. Realizou os filmes Cohab (2012); Isso é uma Comédia Desgraçada (2013); O Trabalho Enobrece o Homem (2013) e Jairboris (2014). Montou os filmes Mataram meu Irmão de Cristiano Burlan,Homem na Estrada de Felipe Terra e Dia da Mentira de Thiago B. Mendonça. Organiza e orienta núcleos de estudos de cinema em alguns bairros periféricos de São Paulo e também um cineclube dentro da Escola Estadual Pedro Alexandrino, Zona Norte. Faz parte do Coletivo Zagaia. Nasceu e mora no Capão Redondo.

FRANCIS VOGNER DOS REIS crítico de cinema, escreve na Cinética. É mestrando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA-USP, com pesquisa sobre a história da crítica e o ideário moderno no cinema brasileiro.  Faz parte da curadoria  da Mostra de Cinema de Tiradentes, da Mostra Cine Ouro Preto e do Cine BH. É roteirista do filme Jogo das Decapitações, de Sergio Bianchi.

ANEXO I

Clique aqui para assistir ao debate

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17/11/2014

“Paisagem Italiana: a Revista Cinema e a formação do neorrealismo cinematográfico italiano”, apresentação de Alex Calheiros.

A relação entre cinema e pintura é um tema clássico no trabalho de estudiosos que, para usar a expressão de André Bazin, é uma arte impura, dependente, num sentido criativo, de outras expressões artísticas. No filme Decameron (Il Decameron, 1971), Pier Paolo Pasolini, próprio cineasta aparece no papel de um pintor da escola giottesca que realiza, na basílica de uma igreja conventual franciscana, um grande afresco. Rodeado por operários, andaimes, tintas e pincéis, Pasolini  reconstrói um momento do trabalho de um artista. Ao final do trabalho, depois de pronta a pintura, surpreendentemente ele diz, porquê realizar uma obra quando é tão belo apenas sonhá-la?. Trata-se da sequencia final da fita, e não por acaso a mais lembrada deste filme. Nele, a fala do pintor medieval de afrescos interpretada por Pasolini coloca, de maneira justa, a relação entre cinema e pintura, ou pondo ainda outra questão tão mais interessante, ou seja,  aquela entre imagem e pensamento.

O interesse pela pintura da parte de cineastas, teóricos e críticos italianos, ganhou contornos interessantes. Foi, por exemplo, a partir da reflexão sobre a relação necessária entre cinema e pintura, particularmente nas páginas darevista Cinema, laboeatório do grupo de jovens intelectuais que preparou o filme Obsessão (Visconti, 1943), que o neorrealismo teve sua gestação e seu notório  desenvolvimento, sendo, na verdade, senão o maior, ao menos um dos elementos formais mais importantes na renovação que ele ensejou.

Alex Calheiros é professor de filosofia política na UnB e professor visitante no Departamento de Filosofia da USP.

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10/11/2014

“Vampiros brasileiros no apogeu das trevas: Nosferatu no Brasil e Wampirou |

Expositores Laura Cánepa e Rubens Machado JrDebatedor: Fábio Camarneiro. Mediadora: Marina da Costa Campos. Relatora: Izabel de Fátima Cruz Melo. 

Nosferato no Brasil e a figura do vampiro no cinema brasileiro. Pretendemos investigar o esconderijo dosvampiros na ficção cinematográfica brasileira. Quer-se sugerir que esses monstros importados, após enfrentarem vários desafios em sua aclimatação ao cinema nacional, acabaram encontrando, como abrigo adequado à sua eterna e sanguinária existência, o mais frágil dos meios: o Super-8. O foco de análise será o filme Nosferato no Brasil(Ivan Cardoso, 1971), uma das obras mais conhecidas do ciclo superoitista brasileiro.

Laura Loguercio Cánepa é jornalista e pesquisadora de cinema. Doutora em Multimeios pelo IA-Unicamp emestre em Ciências da Comunicação pela Eca-Usp, é, atualmente, Pós-Doutoranda no Departamento de Cinema, Televisão e Rádio da Eca-Usp e Coordenadora do Mestrado em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi. É líder do Grupo de Pesquisa Formas e Imagens na Comunicação Contemporânea e membro do Grupo de PesquisaHistória da experimentação no cinema e na crítica. Coordena o GP de Cinema da Intercom e faz parte do corpo editorial da revista Rebeca, da Socine.

Uma leitura inicial de Wampirou (1974), Super-8 de Lygia Pape. Acompanhamos pelo Rio um Vampiro que se desnatura em preguiçosa boêmia sendo ultrapassado inopinadamente por um de outra espécie, bem mais inautêntico que o primeiro, mas eficazmente integrado no trabalho empresarial. Este falso Vampiro chega todo de preto, abrindo sem resquícios de nobreza a sua pastinha de executivo. A truculência de enquadres próximos montados em cortes abruptos parecem dizer respeito a uma experiência talhada para a morte.

Rubens Machado Jr. é doutor em artes-cinema na Eca-Usp, onde é livre-docente, lecionando História, Análise e Crítica. Estágio em doutorado na Paris 3; pós-doutorado na Unicamp. Participa da edição das revistas Cine-Olho,L’ArmateurInfos BrésilpragaSinopse Rebeca. Curador da mostra Marginália 70: o experimentalismo no Super-8 brasileiro, Itaú Cultural. Eleito conselheiro em várias gestões da Socine, onde criou o Seminário Cinema como arte, e vice-versa. Lidera o grupo de pesquisa História da experimentação no cinema e na crítica.

Nosferatu no Brasil (Rio de Janeiro, 1971, 26min50, cor-p&b, som) Ivan Cardoso. Primeiro em Budapeste, Século XIX, Nosferatu (Torquato Neto) interrompe suas predações, morto por um príncipe. De férias no Brasil se dá bem, agora em cores, vampirizando nativas em série, aclimatando-se perfeitamente. Da série “quotidianas kodak”, invenção do programa estético autodenominado de “terrir”.

Wampirou (Rio de Janeiro, 1974, 17min33, cor, som) Lygia Pape. Triste fim de um vampiro que caducou, suplantado pelo mundo moderno. Seu prodígio e técnica virou expediente precário diante de um sistema selvagem de exploração empresarial. Permanecemos no horizonte subdesenvolvido, o progresso da predação é relativizado de modo complexo, sob certa capa alegórica do pop.

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03/11/2014 (18h)

“Luiz de Barros, cineasta e crítico”, apresentação de Luís Rocha Melo

Debatedor: Rubens Machado Jr. Mediador: Felipe de Moraes. Relator: Fábio Raddi Uchôa

Luiz de Barros é dono da filmografia mais extensa do cinema brasileiro, tendo começado a dirigir ainda no período do cinema silencioso, em 1915 (Perdida) e terminado sua carreira em 1977, com a comédia Ele, ela, quem? Em 1929, realizou Acabaram-se os otários, um dos primeiros filmes sonorizados no Brasil. Nos anos 1930, ficou mais conhecido como diretor de filmes musicais e comédias realizados para a Cinédia, entre eles Samba da vida (1937), Tererê não resolve Maridinho de luxo (1938). A década de 1940 foi intensa: 17 filmes, sendo que três no ano de 1940 (Cisne brancoEntra na farra E o circo chegou), 3 filmes em 1947 (O cavalo 13O malandro e a grã-finaFogo na canjica); mais 3 no ano seguinte (Esta é finaInocênciaPra lá de boa). Filmes de público, mas achincalhados pela crítica.

Centrando-se no período que compreende os anos 1930-50, pretende-se apresentar e discutir o cinema de Luiz de Barros em duas vertentes específicas: como cineasta e como crítico, esta última faceta localizada nos anos 1946-47, durante o período em que assinava a coluna “Cinema: comentário do dia”, no jornal carioca Diário Trabalhista.

O objetivo é trazer para a discussão (a partir das críticas assinadas por ele e da exibição de trechos de filmes como, entre outros, Maridinho de luxo Samba da vida), questões relativas às formas de produção e criação nos filmes de Luiz de Barros dos anos 1930-50, bem como suas ideias relativas à dicotomia entre arte e indústria, técnica e estética e o cinema independente, expressas enquanto cronista do Diário Trabalhista.

Luís Alberto Rocha Melo é professor adjunto do Curso de Cinema e Audiovisual e do Programa de Pós Graduação em Artes, Cultura eLinguagens do Instituto de Artes e Design da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Mestre e doutor em Comunicação pela UFF (Universidade Federal Fluminense), com pesquisas sobre o roteirista Alinor Azevedo e o cinema independente brasileiro nos anos 1940-50. É realizador, tendo dirigido o longa Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo (2012) e o média documental O Galante rei da Boca (2004), entre outros.

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03/11/2014 (10h30)

“Noções de cinema moderno em Rogério Sganzerla”, apresentação de Anna Karinne Ballalai.

Debatedor: Theo Costa DuarteMediador: Rubens Machado Jr. Relatora: Natalia Belasalma de Oliveira.

(O horário das 10h30 se deve à inserção do debate no quadro do curso “História do Audiovisual IV: O Cinema Experimental no Brasil [De um ponto de vista paulistano]”).

Em 1964, o catarinense Rogério Sganzerla (1946-2004) inicia a sua carreira profissional como crítico cinematográfico, em São Paulo. Sua trajetória como crítico e cineasta é marcada pela investigação e defesa de um cinema moderno, culminando na publicação do livro Por umcinema sem limite (2002). A proposta é analisar algumas transformações no discurso do crítico/cineasta Rogério Sganzerla com relação ao termo “cinema moderno”, no período de 1964 a 1970. Nos primeiros anos da atividade crítica, Sganzerla utiliza os termos “cinema moderno” eCinema Novo quase que de forma equivalente. À medida que Sganzerla estreia na direção de longa-metragem, e rompe com o movimento doCinema Novo, passa a questionar e a se afastar de certos cânones do “cinema moderno” contemporâneo. A hipótese é a de que este percurso do pensamento sganzerliano configura também a elaboração de um projeto pessoal de cinema moderno que coloca em prática uma série de conceitos sistematizados por Sganzerla em sua produção textual e crítica. Tal projeto teria encontrado seu ápice na experiência da Belair, marcada pelo experimentalismo, por uma aposta radical no trabalho do ator e por formas de produção independente, coletivas, e que questionam na prática a noção de cinema de autor.

Utilizaremos trechos dos filmes: Audácia! (Carlos Reichenbach e Antonio Lima, 1970, BR, 35mm, PB, 87 min).  Filme em episódios: “Prólogo”; “A badaladíssima dos trópicos x os picaretas do sexo”; “Amor-69”. No prólogo deste filme consta um elogio ao cinema realizado na Boca do Lixo paulistana, com ênfase para a nova geração de cineastas e técnicos que vinha se destacando, entre eles o então premiado diretor Rogério Sganzerla e o montador Sylvio Renoldi. A linguagem inaugurada em O bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla, 1968) é emulada sob a forma de homenagem.

Anna Karinne Ballalai é pesquisadora, atriz, produtora e roteirista de cinema. Mestre em Psicologia Social pelo PPGPS/UERJ, com pesquisa sobre Copacabana Mon Amour (Rogério Sganzerla, 1970). Formada em Cinema pela UFF. Pesquisadora do Projeto Copacabana Mon Amour – Restauro (Petrobras) e da Ocupação Rogério Sganzerla (Instituto Itaú Cultural, São Paulo). Trabalhou como pesquisadora e documentalista do Arquivo Rogério Sganzerla, da Cinemateca do MAM – RJ e do Tempo Glauber. Produtora, atriz e roteirista do longa-metragem Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo (Luís Rocha Melo, 2012).

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02/10/2014

“Adorno e modernidade nos primeiros filmes de Kluge”, apresentação de Gabriela Wondracek Linck.

Debatedor:Geraldo BlayMediador: Rubens Machado Jr. Relatora: Lorena Duarte. 

Brutalidade em pedra (1960) e Despedida de ontem (1965-1966), filmes de estreia de Alexander Kluge (primeiro curta e primeiro longa) são considerados dois dos precursores do movimento “Jovem Cinema Alemão” dos anos 1960. Aqui já se nota como a influência da Nouvelle Vague toma outros contornos no contexto germânico, que depois influenciará a segunda geração do movimento – também chamado, por distinção, de “Novo Cinema Alemão” (Fassbinder, Wenders, Straub, Herzog, etc). A ideia é discutir como Kluge trabalha esteticamente as reivindicações do Movimento Estudantil Alemão dos anos 1960, baseadas nos preceitos da Escola de Frankfurt, e como se dá o diálogo com Adorno, que foi quem o influenciou a fazer cinema (“para livra-lo de algo pior, a Literatura”). Pretende-se ressaltar a importância de Kluge neste contexto, não só por meio dos filmes, mas como filósofo e mentor do grupo, etambém considerando que ele atuou como o grande articulador de negociações para conseguir apoio estatal para o financiamento das produções seguintes.

Gabriela Wondracek Linck é pesquisadora, curadora e crítica de cinema. Mestre em Teoria e Crítica Audiovisual pela ECA-USP e coordenadora da Federação Alemã da CAMIRA (Cinema and Moving Image Research Assembly).Já colaborou, entre outras, nas revistas Interlúdio, Zinematógrafo, Rebeca (Revista da SOCINE), Aurora (PUC-RS), Contingentia (UFRGS) e La Furia Umana (Itália).  Recentemente foi curadora da Mostra Nouvelle Vague Tcheca (CCBB) e membro do Júri no I Fronteira – Festival Internacional de Filme Documentário e Experimental.

Brutalidade em pedra (Brutalität in Stein, 1960, 35 mm, p&b, 12 min., 16 anos) direção em parceria com Peter Schamoni. Primeiro filme de Klugerealizado em colaboração com Peter Schamoni, procura estabelecer paralelos entre a arquitetura e a visão de mundo nazista. Com recursos limitados, porém expressivos, mostra como as construções se tornam aos poucos monumentais. Link do filme com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=wMnC665fP7s.

Despedida de ontem (Abschied von gestern, 1965-1966, 16 mm, 84 min.). Uma jovem, Anita G., rouba um pulôver para se aquecer. Cumprida a pena, ela faz várias tentativas de começar vida nova. Depois de uma fuga em ziguezague, vai parar de novo na cadeia. Os nazistas tinham levado seus pais. Ela vem do Leste. E agora passa frio no Oeste. Três Alemanhas (Aqui o link do cineclube/grupo de estudos do qual fui fundadora —e continua em atividade!—, com o texto de uma ex colega sobre o filme: http://cinefabico.wordpress.com/2009/11/30/impressoes-sobre-despedida-de-ontem-de-alexander-kluge/).

Bibliografia

ALMEIDA, Jane. (org.) Alexander Kluge – o quinto ato. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

PAVSEK, Christopher. The utopia of film – cinema and its futures  in Godard, Kluge and Tahimik. New York: Columbia University Press, 2013.

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16/09/2014

“A Era Lula pelo Cinema: engajamentos, lulismo, antipolítica”

Debate entre Christian GiliotiKim Doria e Tales Ab’Sáber. Mediação de Rubens Machado Jr. Relato: Raul Arthuso.

Uma atividade de greve dos alunos do CTR/ECA-USP em colaboração com o grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica.

“Engajamentos da classe”. Concebidos deliberadamente em torno do significado da chegada de Lula à presidência da república, os documentários Peões (Eduardo Coutinho, 2004) e Família Braz – Dois tempos (Arthur Fontes & Dorrit Harazim, 2010) esboçam, por assim dizer, duas grandes imagens da classe trabalhadora no Brasil recente. Em se tratando, todavia, de um par de perspectivas cujo enfoque delimita bastante a amplitude da abordagem, seria temerário afirmar que dão conta da experiência social dos trabalhadores brasileiros – reconhecida na sua totalidade ou multiplicidade. Mesmo assim, além do procedimento de cotejo do passado com o presente que os aproxima, bem como do centro de gravidade político em comum, há uma sorte de esforço cinematográfico em “capturar” o sentido dos engajamentos (por sinal, bastante distintos em cada uma das obras) que as personagens, a partir de suas narrativas, imaginam como constitutivas de si mesmas. Poderíamos, então, pensar se os filmes, formalmente, fazem jus aos trabalhadores que escolheram colocar em cena. Entre outras coisas.Christian Gilioti é graduado e mestrando em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, orientação do prof. Paulo Eduardo Arantes. Pesquisa as formas artísticas de parte do cinema nacional da última década e suas imbricações com a cultura e a política contemporâneas.

“Experiência urbana e capitalismo tardio em uma sismografia possível dos Anos Lula”. O invasor (Beto Brant, 2002) e Trabalhar cansa (Juliana Rojas & Marco Dutra, 2011) apresentam, tanto no nível dramático quanto no da representação, uma nova configuração da luta de classes, marcada pela selvagem busca de ascensão social e inclusão no universo de consumo e de trabalho. As considerações traçadas na análise comparada dos filmes, tendo como base as experiências urbanas representadas, parecem intuitivas para se pensar a história durante o período que separa as suas realizações – notadamente a eleição e governo do presidente Lula, assim como o encontro da experiência brasileira com o capitalismo tardio. Kim Wilheim Doria é Mestrando em História, Teoria e Crítica pelo Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da ECA-USP, orientação do prof. Rubens Machado Jr. Possui graduação em Cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado. É responsável pela divulgação e organização de eventos da Boitempo Editorial.

Tales A. M. Ab’Sáber é formado em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, por onde é Mestre em Artes. Psicólogo pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, onde defendeu Doutorado sobre clínica psicanalítica contemporânea. É Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, e é Professor de Filosofia da Psicanálise no Curso de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Ensaísta interessado na imbricação de psicanálise e cultura, tem trabalhos publicados em revistas especializadas e também na grande imprensa. Em 2005 recebeu o Prêmio Jabuti na categoria “Melhor Livro de Psicologia, Psicanálise e Educação” com o livro O sonhar restaurado: formas do sonhar em Bion, Winnicott e Freud. Em 2012 publicou A música do tempo infinito, sobre cultura tecno e subjetivação contemporânea. Em 2011, Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica. Em 2003, A imagem fria – cinema e crise do sujeito no Brasil dos anos 80.

> Para mais informações e relato crítico

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03/9/2014

“Quando uma vista de árvores é quase um crime: Rodtchenko, Vertov, Kalatozov”.

Conferência de Bernd Stiegler, seguida de comentários de François Albera e Mikhail Iampolski.

Tradução de Fernanda Murad Machado, mediação de Rubens Machado Jr. 

Uma atividade de greve dos alunos do CTR/ECA-USP em colaboração com o grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica.

“Quando uma vista de árvores é quase um crime: Rodtchenko, Vertov, Kalatozov”. Assim que, em 1928, o artista e fotógrafo russo Alexandre Rodtchenko se vê acusado, num artigo apócrifo, de plágio e de formalismo, ficava claro que estava em jogo a sua própria existência: um tal reproche equivaleria de fato, na Rússia dos anos 1920, a umdescrédito político. Entre os exemplos que então foram dados, pesando contra ele, figurava uma fotografia de pinheiros. Seguiu-se uma polêmica violenta, que desemboca no espaço público, e cuja questão não seria ao final de contas nada menos que a função da arte. Dada a celebridade dessa querela, somos forçados a interpretar toda referência à vista colhida por Rodchenko não apenas como uma citação judicial, mas acima de tudo como um comentário político. No entanto, se deve notar que em dois filmes em particular – Três cantos para Lênin (1934), de Dziga Vertov, e Quandovoam as cegonhas (1957), de Mikhail Kalatozov – os planos cinematográficos deárvores intervirão com eloquência, mostrados na mesma perspectiva em que fotografava Rodchenko. Essa transformação de uma foto em um plano de filme encadeia toda uma política das imagens, aquela implementada sob o stalinismo.

Bernd Stiegler é ensaísta, professor de literatura alemã, história e teoria das mídias na Universidade de Constança, Alemanha. Autor dos livros Bilder der Photographie (2007) Montagen des Realen (2009), Reisender Stillstand (2010), Traveling in Place: A History of Armchair Travel (com Peter Filkins, 2013), em português o artigo “Walter Benjamin e a fotografia”, in: Walter Benjamin: Experiência histórica e imagens dialéticas, org. C. E. J. Machado, M. Vedda e R. Machado Jr. (no prelo, 2014).

François Albera é ensaísta, pesquisador das vanguardas e do cinema russo, professor na Universidade de Lausanne, Suíça. Autor dos livros Modernidade e vanguarda do cinema (2012), Eisenstein e o construtivismo russo (2002), e organizou, de Eisenstein, Cinématisme (1980, 2009), e Mouvement de l’art (1986).

Mikhail Iampolski  é ensaísta e pesquisador do cinema e literatura russos, professor de literatura comparada da NYU, Universidade de Nova York, EUA. Autor dos livros The Memory of Tiresias (1998), Daemon and Labyrinth (1996) e Visible World (1993).

Fernanda Murad Machado é tradutora, doutora em Literatura e Língua Francesa pela Sorbonne, Paris IV, e pós-doutoranda no departamento de Letras Modernas, FFLCH-USP.

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26/05/2014

“ACERCA: algumas questões sobre paisagem e intertextualidade, estética cinematográfica e filosofia da história, a partir de Cedo Demais / Tarde Demais (1982), de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet”, apresentação de Dalila Martins.

Debatedor: Felipe de Morais. Moderador: Theo Costa Duarte. Relator Crítico: Guilherme Savioli. 

Resumo:

Intertextualidade:

dialetizando a Política dos Autores / “coletivização da autoria” – Bertolt Brecht

dialetizando o Western / assombro e alteridade – John Ford

Paisagem:

dialetizando o Realismo Baziniano / “a ideia de história natural” – Theodor Adorno

dialetizando a Vista (Lumière) / “making a find” – Paul Cézanne

Paisagem como intertextualidade:

dialetizando o Campo (origem da propriedade privada) / “alienação corretiva” – Theodor Adorno e “efeito V” – Bertolt Brecht

Intertextualidade como paisagem:

dialetizando o fora-de-campo / “lugar” – Stéphane Mallarmé em Toda Revolução é um Lance de Dados

Cedo Demais / Tarde Demais (Straub-Huillet, 1982, França/Egito, 16mm, cor, 100′) A partir de carta de Friedrich Engels a Karl Kautsky (20 de fevereiro de 1889); excerto de Die Bauernfrage in Frankreich und Deutschland (A Questão Camponesa na França e na Alemanha, 1895); posfácio de La lutte de classe en Egypte de 1945 à 1968(1969), de Mahmoud Hussein.

E exibição de trechos:

Toda Revolução é um Lance de Dados (Straub-Huillet, 1977, França, 35mm > 16mm, cor, 10′) Baseado no poema Un coup de dès jamais n’abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897).

Sangue de Herói (John Ford, 1948, EUA, 35mm, p&b, 125′) O Tenente-Coronel Owen Thursday (Henry Fonda), herói da Guerra Civil, é enviado para o Forte Apache, na fronteira com o México. A calma local é abalada quando os Apaches fogem e o arrogante Thursday tem a chance que esperava de ousar e alcançar a glória militar. Querendo ver sangue, o tenente-coronel antes terá de enfrentar a oposição do capitão Kirby York (John Wayne), que acredita numa resolução pacífica.

Crepúsculo de uma Raça (John Ford, 1964, EUA, 35mm, cor, 145′) Após o desrespeito do acordo de entrega de suprimentos à tribo indígena Cheyenne por parte do governo, mais de 300 índios decidem deixar sua reserva rumo ao Wyoming, sua terra natal. O capitão da cavalaria americana Thomas Archer (Richard Widmark) édesignado para a missão de contê-los e evitar sua viagem. No entanto, Archer muda de idéia quando encontra com os indígenas.

Dalila Martins é bacharel em Audiovisual pela ECA-USP, onde faz mestrado em História, Crítica e Teoria de Cinema. Sua pesquisa atua no cruzamento entre as áreas de Estética e Filosofia da História, a partir da análise da obra de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Membro do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica. Como artista, já expôs alguns trabalhos em vídeo, um deles em coautoria com Carlos Fajardo. Faz parte da redação da Revista Cinética desde 2013.

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19/05/2014

“Projeção /Análise /Debate do filme E.”

Análise de Graziela Kunsch e comentário de Ermínia Maricato. Moderação de Geraldo Blay e relato crítico de Dalila Martins. Em presença dos realizadores Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti Miguel Antunes Ramos. 

E (2014, 17min.) Sinopse: Estacionamento. Es-ta-cio-na-men-to. Do latim, statio. Ficar de pé, ficar parado.

Direção: Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti, Miguel Antunes Ramos. Produzido com o Prêmio Estímulo. Prêmios: Júri da Crítica 17ª Mostra de Tiradentes, ABD-SPe Menção Honrosa para documentário curta-metragem brasileiro 19º É Tudo Verdade. Alexandre Wahrhaftig, nasceu em São Paulo, formou-se em audiovisual na ECA-USP. Trabalha principalmente com montagem e direção de fotografia. Atualmente, faz mestrado em teoria de cinema na USP. Helena Grama Ungaretti se formou em Audiovisual pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Atua principalmente como assistente de direção. Este ano dirigiu dois curta-metragens: o documentário “E” e a ficção “De Castigo”. Miguel Antunes Ramos, nasceu em São Paulo, formou-se em audiovisual na ECA-USP, em 2012. Seu filme de formatura foi o curta-metragem “um, dois, três, vulcão”, selecionado para a IV Semana dos Realizadores.

Graziela Kunsch é artista, editora, crítica, curadora e professora. Seus projetos frequentemente implicam em um alargamento do chamado “público da arte”, relacionando-se com contextos políticos e sociais. Cocuradora dos projetos Arte e esfera pública e Esboço para novas culturas: projetos de cidades em debate(urbania4.org/debates) e curadora da mostra CINEMA PERIGOSO DIVINO MARAVILHOSO. Doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais na ECA-USP,e membro do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica. Editora da revista Urbânia. Website: <naocaber.org>.

Erminia Maricato. Graduação (1971), mestrado (1977), doutorado 1984), livre docência (!997) e profa. titular (1998) de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1977/2010). Foi profa. visitante do Center of Human Settlements da Universidade da British Columbia e da Witswaterand University de Johannesburg. Coordenadora do curso de Pós Graduação da FAU-USP e membro da Câmara de Normas e Recursos da USP (1998-2002) . Presidente da Comissão de Pesquisa da FAU-USP e Membro do Conselho de Pesquisa da USP (2007-2009). Fundadora do LABHAB- Laboratório de Habitação eAssentamentos Humanos da FAU-USP. Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano do Município de São Paulo (1989-1992). Formulou a proposta de criação do Ministério das Cidades onde foi Ministra Adjunta (2003-2005). Atualmente: Membro dos Conselhos Editoriais das Revistas JSSJ – Justice Spatiale/Spatial Justice Journal, Cadernos da Metrópole (Observatório das Metrópoles), Revista de Estudos Urbanos e Regionais (ANPUR) e Revista Política Social e Desenvolvimento (IE UNICAMP). Membro do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Cidade de São Paulo. Profa. visitante do Instituto de Economia da Unicamp.

Geraldo Blay é artista plástico, video-artista, desde 1989, graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela PUC de Campinas em 1987, Possuí Mestrado em Artes Visuais  pela UNESP/SP de título: “Mário Peixoto, um olhar fenomenológico”. Membro do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica. Atualmente é professor universitário de História da Arte, Bidimensionalidade e Pintura nos Cursos de Artes Visuais e Design na FiaamFaam.

Dalila Martins é bacharel em Audiovisual pela ECA-USP, onde faz mestrado em História, Crítica e Teoria de Cinema. Sua pesquisa atua no cruzamento entre as áreas de Estética e Filosofia da História, a partir da análise da obra de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Membro do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica. Como artista, já expôs alguns trabalhos em vídeo, um deles em coautoria com Carlos Fajardo. Faz parte da redação da Revista Cinética desde 2013.

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28/04/2014

“Sociedade do espetáculo mambembe ou a Indústria cultural tupiniquim: filmes de Thiago Mendonça, em presença do realizador.”

Expositor: Thiago Mendonça Debatedores:Laura Cánepa, Geraldo Blay, Guilherme Savioli e Rubens Machado Jr. Moderador: Kim Doria.Relator:Bruno Lottelli.

Estes quatro curtas são parte de um projeto de refletir sobre a “cultura das bordas” de São Paulo, uma cultura popular não estandardizada, bárbara e nossa. A tentativa de se construir um cinema inspirado em ícones da indústria cultural internacional, de preconceitos engendrados, do mau gosto transformado em (in)consciência coletiva. O culto ao grotesco e o humor erótico picante das pornochanchadas como espelho invertido da cultura popular idealizada por parte da esquerda. Um cinema do excesso, fruto de nossa criativa incapacidade de copiar. Uma estética terceiro-mundista que transforma a lógica da indústria cultural a partir de sua exacerbação. (T.M.)

Minami em Close-up – a Boca em revista (2008) A trajetória da revista Cinema em Close-up, que nos anos 70 tornou-se um sucesso de vendas publicando fotos de atrizes em poses sensuais, e de seu editor Minami Keizi, é o ponto de partida para contarmos a história dos filmes da Boca do Lixo e seus personagens.

Piove, il film di Pio (2012) “Piove” não é um retrato do cineasta esquecido Pio Zamuner. É o estabelecimento de uma relação entre dois diretores e a explicitação de suas regras. O retrato de uma paixão compartilhada por duas gerações em um botequim da Boca. Mas quem dirige quem?

A guerra dos Gibis (2012) Nos anos 60 surge uma criativa produção de quadrinhos eróticos no Brasil. Mas a censura conspirava para seu fim. Satã, Chico de Ogum, Beto Sonhador, Maria Erótica e outros personagens unem-se aos quadrinistas nesta batalha contra a ditadura neste documentário onde a pior ficção é a realidade.

O canto da lona (2013) “Então nós chamamos o circo o nosso mundo, é o nosso mundinho. Pra fora da cerca é o mundo que é o mundo. Pra dentro da cerca é o nosso mundo.”

>Mais informações e relato crítico

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31/3/2014

“Rivette e Diderot: O Teatro do corpo”, apresentação de Yanet Aguilera

Debatedor: Felipe de Morais. Moderador: Francis Vogner do Reis.

A relação entre cinema e literatura sempre foi rica e complexa. A adaptação de Jacques Rivette de A Religiosa, de Denis Diderot, traz uma complexidade a mais, a de dialogar com um pensador que, além de ser um grande escritor, iniciava a crítica de arte por meio de uma abordagem mais analítica das pinturas e esculturas da sua época. O filme de Rivette reflete esse encontro de pensadores que colocam no centro uma reflexão sobre a  imagem.

Yanet Aguilera é Professora Doutora da Universidade Federal de São Paulo. Organizadora e curadora do livro Wesley Duke Lee e a Escola Brasil, e de Preto no Branco: a arte gráfica de Amilcar de Castro.

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17/3/2014

A Revolução do Ano – Projeção /análise /debate”.

Exibição do primeiro corte do documentário The Revolution of the Year. Com as presenças do diretor, Diogo Faggiano, e do montador, Eduardo Chatagnier. Debatedora: Dalila Martins. Mediador: Francis Vogner dos Reis.

Sobre o filme: The Revolution of the Year (A Revolução do Ano) Alguma coisa se perdeu entre Cairo e Aleppo.

Sinopse: Dezembro de 2011. O jovem egípcio Saleh Ferky estampa a edição da Time Magazine que elegera O Manifestante como a personalidade do ano. Um ano depois, vivendo pela primeira vez sob um governo supostamente democrático, ele e seus amigos experimentam a amargura pós Revolução. Deprimido com a presente situação em seu país e incapaz de superar os ocorridos, Saleh decide ir à Síria. Para além das sombras de uma Guerra Civil, uma tentativa de compreender o que significa ser um jovem homem livre. (1h30 de duração)

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10/3/2014

Deslocamentos e espaços na produção independente: Novos segmentos estilísticos no cinema brasileiro”. Expositor: Cleber Eduardo. Debatedor: Francis Vogner dos Reis. Mediador: Bruno Vieira Lottelli. Relato: Kim Doria.

O cinema brasileiro contemporâneo em sua vertente mais independente, de modo amplo, e suas possíveis configurações nos últimos anos, nos leva a abordar os deslocamentos de personagens sem metas concretas. Falar das apropriações de imagens captadas por terceiros. Considerar os conflitos e memórias familiares em suas menores e maiores aberturas para o mundo histórico e social; As rarefações dramáticas e os recuos da enunciação; Os conflitos e questões de classe e de espaço físico-social; Os hibridismos amplos entre a ficção e o documental.

As recorrências na produção recente acima destacadas permitem um início de segmentação e categorização de algumas propostas estilísticas e temáticas dessa vertente mais independente do cinema brasileiro, mostrando uma clara mudança nos últimos anos em relação ás propostas dos estreantes em longas do início dos anos 90 e dos anos 2000. Até onde essas mudanças são geracionais? Até onde respondem a uma paisagem digital? Em que sentidos dialogam com vertentes do cinema contemporâneo mundial?

Cleber Eduardo é curador da Mostra de Tiradentes desde 2007 e criador da Mostra Aurora, segmento competitivo de longas metragens para diretores com até três longas. É mestre pela ECA-USP, com pesquisa sobre documentários de personagens no cinema brasileiro dos anos 2000, e professor de documentário e teoria do cinema no bacharelado em cinema e audiovisual do Centro Universitário SENAC desde 2008. Foi crítico do jornal Diário Popular, da revista Época, dos sites Contracampo e Cinética, além de ter publicados artigos em livros variados.

> Mais informações e relato do encontro

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24/2/2014

“Projeção Análise Debate: Entre nós, dinheiro & Coice no peito”, do Coletivo Tela Suja Filmes.

Análise dos filmes por Felipe de Moraes e Rubens Machado Jr. Debate mediado por Nicolau Bruno, com a participação dos realizadores do Tela Suja.

COLETIVO TELA SUJA FILMES: Renan Rovida, Maria Tereza Urias, Talita Talissa, Danilo Dilettoso, Diogo Noventa e Tadeu Renato. O Coletivo Tela Suja Filmes produz cinema de ficção e documentário, crítico, popular e de baixíssimo orçamento, pela necessidade de fazer um cinema que mostre o mundo do ponto de vista da classe de seus integrantes: a classe trabalhadora. A feitura é de pesquisa, de criação coletivizada, e de experimentação no processo de produção cinematográfico.

ENTRE NÓS, DINHEIRO (Ficção, Cor, Digital, 25min, 2011, SP, Brasil)

Direção: Renan Rovida Produção: Maria Tereza Urias Argumento: Renan Rovida, Diogo Noventa e Rogério Guarapiran Roteiro de Improviso: Renan Rovida Direção de Fotografia e Câmera: Diogo Noventa Montagem: Marcelo Berg Som Direto: Renata Adrianna e Wilq Vicente Figurinos: Carlos Escher e Maria Tereza Urias Preparação de Elenco: Helena Albergaria Gravação de som: Martin Eikmeier Edição de som: Marcelo Tupinambá Fotos de divulgação: Marina Requena Tradução Inglês: Abílio Godoy Tradução Espanhol: Mariana Lopes de Vasconcelos Legendagem: Juliano Castro Arte gráfica: Iarlei Rangel

Sinopse: É churrasco de fim de ano na firma, o Bar do Velho Cuba, e o que era para ser uma festa é trabalho para os funcionários. As relações mediadas pelo dinheiro e pela exploração se juntam ao discurso democrático do patrão e à sua própria ilusão no crescimento econômico do país. Trabalhando, é possível enriquecer? Um dia de “festa” na periferia do Capital.

Elenco: ANDRESSA FERRAREZI, CARLOS ESCHER, FRANCISCO NOVENTA, JOÃO BERG, JULIANA LIEGEL, LUCIANO CARVALHO, LUIZ CARLOS MOREIRA, MARIA APARECIDA, MARIANA MOURA, MARILZA BATISTA, NALOANA LIMA, RENATO GAMA, TIAGO MINE

REALIZAÇÃO: Grupo de Trabalho Tela Suja em parceria com Companhia Estudo de Cena

COICE NO PEITO (Ficção, P&B, Digital, 25min, 2014, SP, Brasil) Menção honrosa do Júri da Crítica no Festival de Tiradentes 2014.

Direção e Roteiro: Renan Rovida Produção Executiva: Maria Tereza Urias Direção de Produção: Maria Tereza Urias e Talita Talissa Direção de Fotografia e Câmera: Gabriel Martins Montagem: Danilo Dilettoso Direção de Som: Ester Fér Direção de Arte: Carlos Escher e Rimenna Procópio Direção de Atores: Rimenna Procópio Assistentes de Direção: Mário Constantino e Júlio Martí Assistente de Fotografia: Rick Mello Assistente de Som: Flávio Lee Assistentes de Produção: Deise Urias de Morais, João Urias e Mário Constantino Edição de Som: Ester Fér e Natalie Rocha Correção de Cor e Fotos de Cena: Gabriel Martins Supervisão Tradução Inglês: Abilio Godoy Tradução Inglês: Abilio Godoy, Felipe Urias, Luiz Zuin Tradução Espanhol: Mariana Lopes de Vasconcelos Aulas de charrete: Seu João Mineiro Desenho do cartaz: Carlos Francisco Arte Gráfica: Iarlei Rangel

Sinopse: Dito o dito pelo não dito, Dito eu, dito você, dito nós.

Elenco: FRANCISCO NOVENTA, RENAN ROVIDA, FLORÊNCIO GUERRA, TALITA TALISSA, NINA DIAS, RUTH MELCHIOR, ROGÉRIO BANDEIRA, MIGUEL TRINDADE BANDEIRA DE MELO, TIAGO MINE, SÉRGIO CAROZZI, RANI GUERRA, CARLOS ESCHER, DEISE URIAS DE MORAIS.

REALIZAÇÃO: COLETIVO TELA SUJA FILMES

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2013

9/12/2013

Una pelea cubana contra los demonios – inquietante alegoria” (Ressonâncias da Socine, 3)”, apresentação de Maria Alzuguir Gutierrez.

Terceira mesa da jornada Ressonâncias da Socine. Expositora: Maria Gutierrez. Debatedora: Yanet Aguilera.

A apresentação consiste numa análise de Una pelea cubana contra los demonios (1971), de Gutiérrez Alea. Pretende-se situar o filme no contexto do cinema daquele momento em Cuba, em que a revolução demandava uma revisão da história nacional; e também no contexto dos debates que se faziam então a respeito da cultura no país, já que o filme é uma intervenção crítica nestes debates. Falarei brevemente da importância de Fernando Ortiz, autor em cuja pesquisa histórica Gutiérrez Alea se baseia neste filme, antes de passar à análise. Nesta, pretendo privilegiar a inquietante construção do olhar na obra, e também discutir uma cena fundamental para uma interpretação alegórica do filme.

Maria Alzuguir Gutierrez é doutoranda no Programa de Meios e Processos Audiovisuais da ECA-USP. Entre 2011 e 2012, organizou os cursos ‘Literatura e história no cinema latino-americano’ e ‘Vertentes do cinema cubano’, ambos realizados no Memorial da América Latina. Em 2006, organizou a edição brasileira do FELCO (Festival Latino Americano de la Clase Obrera).

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2/12/2013

“Vídeo Popular: forma e contexto ‑ Apontamentos sobre a Associação Brasileira de Vídeo no Movimento Popular (1984-1995)”, com Diogo Noventa. 

Expositor: Diogo Noventa (EACH-USP). Mediador: Fernando Rodrigues Frias (PROLAM-USP).

O debate tem por objetivo realizar o trânsito entre análise estética e reflexão histórico-social para compreender a inter-relação da linguagem dos vídeos catalogados pela Associação Brasileira de Vídeo Popular (ABVP) com a história recente do país, mais precisamente a passagem da década de oitenta para a década de noventa, período de existência da ABVP e de intensas transformações políticas e sociais no Brasil. O objetivo é apreender as relações entre a realidade social e política do período de atividades da ABVP (1984 – 1995) e de vídeos organizados em seu acervo, no tocante a sua forma.

Diogo Noventa Fonseca é mestrando em Estudos Culturais pela EACH-USP. Diretor da Companhia Estudo de Cena, grupo que atua com a criação teatral e audiovisual. De 2007 a 2011 participou do Coletivo de Vídeo Popular de São Paulo.

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25/11/2013

“Da ‘Epopeia do Cinema’ ao Cineviver – Conversações Analíticas”, com Jomard Muniz de Britto.

Expositor: Jomard Muniz de Britto. Mediador: Rubens Machado Jr. Com exibição de curtas do expositor.

Jomard Muniz de Britto é natural de Recife, onde reside e trabalha, atualmente professor aposentado da UFPB. Além de cineasta, poeta e performer, é ensaísta e filósofo. Sintetiza em sua própria figura esse trajeto moderno e um tanto impossível, ou mesmo “arlequinal” (Mário de Andrade), que nos leva de Paulo Freire a José Simão, passando por Sartre, Glauber e o tropicalismo. Participa ainda estudante, nos anos 1950, das experiências de Freire em Pernambuco que resultaram no método de alfabetização mundialmente conhecido. Forma-se em Filosofia e torna-se professor de Artes e Comunicação da UFPB, sofrendo com o AI-5 interrupção de suas atividades docentes retomadas anos depois. Seu primeiro livro, Contradições do homem brasileiro, editado no Rio pela Tempo Brasileiro, é apreendido antes da distribuição, em 1964. O segundo, Do Modernismo à Bossa Nova, com prefácio de Glauber Rocha, seu amigo desde o cineclubismo dos anos 50, é editado pela Civilização Brasileira em 1966, e reeditado em 2009 pela Ateliê, em São Paulo. Dentre os mais recentes dos seus 15 livros estão Atentados poéticos (Bagaço, 2002) e A Língua dos Três Pppês: poesia, política e pedagogia (SESC, 2012). Conta com quase cinco dezenas de filmes rodados em Super-8 e vídeo, numa espécie independente e crítica de atividade de resistência cultural, atípica no quadro do Tropicalismo, de que foi interlocutor, ativista, peça importante e reconhecida no nordeste brasileiro. Para conferir maiores informações e detalhes, ver sua Entrevista no sáite Trópico, realizada pelo pesquisador e cineasta experimental Carlos Adriano: “O último Dândi”, http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2604,1.shl. Instado por Rubens Machado Jr., editor de “Fora de quadro”, sessão da revista Rebeca, a enviar uma mini biografia, nos endereçou o e-mail reproduzido abaixo, publicado no nº3 daquela revista. Achamos pertinente adicioná-lo aqui como um rodapé autorreflexivo, glosa de seu trajeto e de seu próprio texto, um auto-retrato digressivo.

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11/11/2013

“Albores do moderno na crítica cinematográfica paulista (Ressonâncias da Socine, 2)”.

Segunda mesa da jornada Ressonâncias da Socine, Exposições de Fábio Raddi Uchôa e Francis Vogner dos Reis, mediação de Felipe Morais.

Fábio Uchôa: “Almeida Salles e as galerias de arte paulistanas: biografismo, intuição e apologia”.

O objetivo do trabalho é questionar a escrita impressionista de Francisco Luiz de Almeida Salles. Ao longo dos anos 1950-70, o crítico acompanha o mercado de galerias de arte de São Paulo, redigindo apresentações para catálogos de exposições. O biografismo monumentalizante, oscilando entre racional e o intuitivo, é uma das marcas desta crítica de arte, que terá reflexos particulares sobre as críticas de cinema, publicadas por Almeida Salles em O Estado de S. Paulo (1950-62).

Fabio Raddi Uchôa é Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Durante os anos 2005-2008, foi um dos responsáveis pela organização do Arquivo Francisco Luiz de Almeida Salles junto à  Cinemateca Brasileira.

Francis Vogner do Reis: “A batalha do moderno”.

O objetivo do trabalho é mapear algumas controvérsias críticas em torno do cinema moderno brasileiro, mais especificamente entre 1967 e 1969, a partir sobretudo de Paulo Emílio Salles Gomes, Jean-Claude Bernardet, Rogério Sganzerla e Jairo Ferreira.

Francis Vogner do Reis é Mestrando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA-USP, crítico de cinema, foi colaborador das revistas Cahiers du Cinéma España, Filme Cultura, Teorema, Miradas del Cine (Cuba), La Furia Umana (Itália), Revista Interlúdio, Foco – Revista de Cinema e redator da Revista Cinética por cinco anos. Faz parte da equipe de curadoria da Mostra de Cinema de Tiradentes, da Mostra CineOP e da Mostra Cine BH. E roteirista de Jogo das Decapitações, de Sergio Bianchi e de Os Sonâmbulos, de Tiago Mata Machado (em produção).

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4/11/2013

“Brasil-Cuba-França-URSS: 1968-71-67-31 – análise fílmica e história das vanguardas (Ressonâncias da Socine, 1)”.

Primeira mesa da jornada Ressonâncias da Socine. Exposições de Laura Cánepa, Maria Gutierrez e Nicolau Bruno, mediação de Felipe Morais. Projeção de Procissão dos mortos (1968) Luís Sérgio Person, seguida de exposições.

Laura Cánepa – “O cinema de gênero e o debate político: o caso de Procissão dos mortos, de Luís Sérgio Person”.

O trabalho propõe um esboço de análise do filme Procissão dos Mortos, a partir de uma possível articulação que o filme estabelece entre o cinema politicamente engajado dos anos 1960 e o cinema fantástico paulista dos anos 1950/60. Em particular, observa-se do diálogo de seu filme com os longas-metragens O Saci, produção 1953, de Rodolfo Nanni, e À meia-noite levarei sua alma, de 1964, dirigido por José Mojica Marins. Através da análise desse diálogo, se explora a hipótese de que Person pode ter-se dedicado a investigar as possibilidades criativas e políticas do uso dos gêneros convencionais pelo cinema brasileiro.

Laura Loguercio Cánepa é docente do Mestrado em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi e pós-doutoranda na ECA-USP. Membro da SOCINE desde 2002 e co-editora da Revista Rebeca.

Maria Gutierrez ‑ “Uma estranha alegoria de Gutiérrez Alea”.

A apresentação consiste de uma análise de Una pelea cubana contra los demonios (1971), de Gutiérrez Alea, a partir de duas perspectivas: de um lado, uma leitura alegórica do filme que procura situar a crítica nele contida no contexto dos debates que se faziam a respeito da cultura em Cuba à época de sua realização; de outro, uma aproximação que tenta dar conta da leitura “literal” da obra, da experiência imediata do espectador, através de ideias tomadas de empréstimo às teorias sobre a literatura fantástica.

Maria Alzuguir Gutierrez é doutoranda no Programa de Meios e Processos Audiovisuais da ECA-USP. Entre 2011 e 2012, organizou os cursos ‘Literatura e história no cinema latino-americano’ e ‘Vertentes do cinema cubano’, ambos realizados no Memorial da América Latina. Organizadora do FELCO (Festival Latino Americano de la Clase Obrera).

Nicolau Bruno – “O cinema como profanação da História: Marker e as vanguardas soviéticas”.

O filme Le tombeau d’Alexandre, de Chris Marker, pode ser lido como um tratado poético cinematográfico sobre uma história profana do cinema. Através de Medvekine (criador do cine-trem) surge o mosaico de uma geração esquecida. Seu olhar para a arte revolucionária ilumina uma origem bastarda da Arte Moderna. Pela análise do filme e reflexões sobre as opacidades históricas do período, propõe-se apresentar uma pesquisa sobre o trabalho de leitura crítica das imagens no cinema markeriano.

Nicolau Bruno de Almeida Leonel é formado em Filosofia na FFLCH-USP, mestre pela ECA-USP com a dissertação “Chris Marker e as barricadas da memória, comentários em torno de Le fond de l’air est rouge”, e doutorando da ECA-USP. Coautor do livro de entrevistas “Socialismo e barbárie, Rosa Luxemburgo no Brasil” organizado por Isabel Loureiro. Participou e realizou curtas metragens militantes, também organizador do FELCO (Festival Latino Americano de la Clase Obrera).

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23/9/2013

O Superoitismo de Edgard Navarro – esboços de análise fílmica. Parte 2: “Do Super-8 ao SuperOutro”.

Exposição: Marcos Pierry da Cruz (UFMG, FTC).

Marcos Pierry Pereira da Cruz é Crítico e Jornalista, formado na UFBA. Mestre em Ciências da Comunicação, ECA-USP, com a dissertação O Super-8 na Bahia: História e Análise, 2005. Atualmente é Doutorando em Criação e Crítica da Imagem em Movimento, EBA-UFMG. Tem Curso de Roteiro na Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, Cuba, 2012. Ensinou Crítica Cinematográfica, História do Cinema e do Vídeo, Cinema Brasileiro, e Teoria da Comunicação, na Faculdade de Cinema Faculdade de Tecnologia e Ciências, FTC, em Salvador (2003-2012).

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16/9/2013

“Foucault vai ao cinema: políticas da memória e formas de resistência no cinema europeu da década de 1970”. Expositor: Ernani Chaves (UFPA).

No número de agosto-julho de 1974, nos prestigiados Cahiers du cinéma, é publicada uma longa entrevista de Michel Foucault, intitulada Anti-retró. Serge Toubiana, um dos entrevistadores e redatores da revista relembra que esta participação de Foucault se inscrevia num momento de inflexão, na qual se rompia o “dogmatismo teórico e ideológico” que havia imperado na revista nos anos imediatamente posteriores ao maio de 1968. Não se trata, entretanto, de um processo de despolitização, mas, ao contrário, de uma discussão acerca da concepção de política e das relações de poder presentes no pensamento de Foucault. O ponto de partida da discussão é o surgimento de alguns filmes que tematizam acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, seja a do colaboracionismo francês em “Lacombe Lucien”, de Louis Malle ou das relações sado-masoquistas entre carrascos e algozes em “O Porteiro da Noite”, de Liliana Cavanni. Foucault analisa esses filmes a partir da relação entre memória e resistência, para justificar seu engajamento no filme de Renné Allio baseado no caso de “Pierre Rivière”, que matara a mãe e os irmãos e que o próprio Foucault havia publicado. Por fim, gostaria de aproximar a relação entre cinema e política em Foucault com as perspectivas abertas pelas análises de Walter Benjamin.

Ernani Pinheiro Chaves é professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará. Pesquisador do CNPQ. É graduado em Administração pela UFPA (1978), Mestre em Filosofia pela PUC-SP (1986) e Doutor em Filosofia pela USP (1993). É Professor Associado IV da Faculdade de Filosofia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFPA. É também Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Colaborador no Programa de Pós-Graduação em Psicologia, ambos na UFPA. Neste último, é Coordenador Associado do PROCAD-Novas Fronteiras, realizado em conjunto com a UFS e a UFRJ. Durante o doutorado realizou estudos e pesquisas na Faculdade de Teologia Evangélica (1989-1991) e na Universidade Técnica (1992), ambas em Berlim, Alemanha. Realizou estágio de pós-doutorado em 1998, também na Universidade Técnica de Berlim e em 2003 na Bauhaus-Universität, de Weimar, na Alemanha. Em janeiro e fevereiro de 2013 foi Pesquisador Visitante na Universidade Técnica de Berlim. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Alemã, em especial Nietzsche e a Escola de Frankfurt. Além disso, também realiza estudos sobre o pensamento de Michel Foucault e no âmbito da Filosofia da Psicanálise. É membro da Nietzsche-Gesellschaft (Naumburg, Alemanha), do GT Nietzsche da ANPOF e editor da revista Estudos Nietzsche.

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9/9/2013

“O Superoitismo de Edgard Navarro – esboços de análise fílmica. Parte 1: O jovem Edgard e sua trilogia de formação Oral-Anal-FálicaExposição: Rubens Machado Jr. 

Com a projeção de Alice no País das Mil Novilhas (Edgard Navarro, Salvador, 1976, 20 min, cor, som) Em leitura divertida e psicodélica do clássico de Lewis Carrol, Alice aqui entra no país das maravilhas ao ingerir o cogumelo que floresce no estrume do gado. O Rei do Cagaço (Edgard Navarro, Salvador, 1977, 10 min, cor, som) O ato de defecar, filmado de forma explícita e impactante, introduz a história paródica de um manifestante que evacua em várias instituições baianas. Obra máxima do realizador, das mais consensuais. Exposed (Edgard Navarro, Salvador, 1978, 7min30, cor, som) Fogo, retratos velhos e queimados da vida familiar, cães copulando, figuras da era política da ditadura militar. O poder armado, viril, fálico. Obra-prima da vertente experimental superoitista. Lin e Katazan (Edgard Navarro, Salvador, 1979, 5 min, cor, som) Ficção narrativa, com texto de Chico Buarque, sobre relação de opressão entre operário da construção civil e seu patrão. Na Bahia Ninguém Fica em Pé (Edgard Navarro, José Araripe Jr. & Pola Ribeiro, Salvador, 1980, 22 min, cor, som) Reflexão desenvolvida coletivamente em reportagem-ensaio bem-humorada sobre as agruras do cinema baiano na virada da década. Porta de Fogo (Edgard Navarro, Salvador, 1982-1984, 22’ 35mm cor som) No sertão baiano, em tempos de anistia política, dialogam os universos utópicos e agônicos de Carlos Lamarca e Glauber Rocha.

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27/5/2013

“Jovem arte contemporânea: uma questão de método”. Exposição: Juliana Froehlich (Psicologia-USP)

Problemáticas geracionais raramente são abordadas no momento em que elas acontecem. O caráter fugidio do presente, daquilo que foi e que ao mesmo tempo será, dificulta o aprofundamento nas questões relativas ao tema. Esse caráter constituiu a pesquisa sobre uma categoria circulante no sistema da arte contemporânea, a jovem arte contemporânea, a partir da criação de obras da artista portuguesa residente em São Paulo, Inês Moura. Contudo esse objeto apresenta suas particularidades. Assim, este seminário pretende compartilhar as dificuldades que o objeto de pesquisa pode apresentar e as possíveis metodologias para abordar, de maneira crítica, a arte contemporânea considerada jovem.

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22/4/2013

Ideas del CINE insurgente, Flávio Galvão e sessão UKAMAU – Kabine com o Grupo de estudos História da experimentação no cinema e na crítica.

Debate após projeção do filme, com o realizador Flávio Galvão e a debatedora Yanet Aguilera (UNIFESP).

Filmes: Ideas del CINE insurgente (Bolívia, 2013, 20’). Realizador: Flavio Galvão.

Sinopse: Em busca de conexões entre o cinema e o vídeo popular latino-americano uma dupla de realizadores brasileiros conversa com Jorge Sanjínes, cineasta boliviano autor da obra “Teoria y práctica de un cine junto al pueblo”, onde defende uma cinematografia andina fiel à temática indígena. A conversa se dá em sua casa – Sede do Instituto Ukamau, em La Paz, intercalada por sequências da Morenada (desfile folclórico) na cidade, e do cotidiano dos índios nas montanhas incas da Isla del Sol. Las banderas del amanecer (Bolívia, 1982[?], 76’). Realizadores: Jorge Sanjínez e Beatriz Palacios. Sinopse: Largometraje de carácter documental, reconstruye minuciosamente los hechos acaecidos en Bolivia entre 1979 y 1982, años llenos de acontecimientos dramáticos que la memoria colectiva no debiera olvidar. Apelando al testimonio de los protagonistas y a escenas captadas durante los hechos mismos pasa repaso a los tres procesos electorales registrados en 1978, 1979 y 1980, el intento de golpe de estado encabezado por el Cnl. Alberto Natush y la masacre de Todos Santos; el asesinato de importantes personalidades políticas como Luís Espinal y Marcelo Quiroga Santa Cruz; las grandes movilizaciones obreras, campesinas, estudiantiles, el sangriento golpe del Gral. García Mesa; la lucha en la resistencia y finalmente, la reapertura del proceso democrático el 10 de octubre de 1982. Allí concluye el recuento, pero la película deja abierto el final, invitando al espectador a completarla por medio de la reflexión en torno a lo visto y vivido fonte: <http://www.boliviaentusmanos.com/cartelera/detalles.php?m=871>. Para apresentação do realizador Jorge Sanjínez: http://www.frombolivia.com/directores/jorgesanjines.html, e de seus trabalhos, https://vimeo.com/24639718.

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10/4/2013

Experiência documental e poética experimental no cinema brasileiro: origens e história, Palestra de Rubens Machado Jr. na mesa “Vanguarda e não-ficção no Brasil”, com Carlos Adriano (pós-doutorado, PUC-SP), e Ismail N. Xavier (ECA-USP), mediador, na 13ª Conferência Internacional do Documentário: Documentário e Vanguarda, no É Tudo Verdade 2013 – 18º Festival Internacional de Documentários, no MIS-SP.

2012

37 eventos relacionados. 20 encontros (9 participantes em média), além dos 11 encontros do Grupo de estudos, e ainda 6 participações em atividades externas ou encontros de outros grupos. 1º semestre: 11 encontros (10 participantes em média) e ainda 4 participações em atividades externas ou encontros de outros grupos. 2º semestre: 9 encontros (8 participantes em média), além dos 11 encontros do Grupo de estudos, e ainda 2 participações em atividades externas e encontros de outros grupos.

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17/12/2012

Reunião de encerramento das atividades de 2012, balanço e perspectivas

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10/12/2012

Remanescências (1997), Santoscópio = Dumontagem (2010), Santos Dumont: Pré-Cineasta? (2010) e o mito de origem do cinema brasileiro, com projeções dos filmes, seguidas de debate com o realizador Carlos Adriano, mediação de Rubens Machado Jr.

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26/11/2012

Cinema, História e Política: Uma Análise do filme La muerte de un burócrata, de Tomás Gutierrez Alea

Exposição de Fernando Rodrigues Frias (PROLAM-USP, mestrando), após projeção do filme.

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12/11/2012

À Meia-Noite Levarei sua Alma, de José Mojica Marins: Itinerário de análise

Exposição de Laura Loguercio Cánepa (CTR/ECA-USP, pós-doutoranda e UAM, professora doutora), depois da projeção.

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05/11/2012

Cinema amador brasileiro: apontamentos para estudo

Exposição de Lila Foster (ECA, doutoranda).

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2-30/11/2012

Mostra de filmes Cinema Perigoso Divino Maravilhoso (MIS, nov. 2012) e Seminário internacional Políticas da Imagem (Paço das Artes, nov. 2012), curadoria da mostra de filmes e do seminário pela pesquisadora Graziela Kunsch.

A mostra foi uma realização do MIS e do Goethe-Institut e aconteceu como atividade complementar à exposição The fourth wall [A quarta parede], de Clemens von Wedemeyer (Paço das Artes). Se na exposição von Wedemeyer abordou registros visuais dos índios Tasaday nas Filipinas para explorar os (não)limites entre documentário e ficção, aqui a ideia foi refletir sobre a representação do índio no cinema feito no Brasil, em filmes que muitas vezes superam as fronteiras entre autenticidade e teatralidade, entre testemunho e performance. O título da mostra faz alusão a uma cena com Glauber Rocha no filme Vento do Leste, do Grupo Dziga Vertov, na qual ele aponta o caminho para o “cinema do terceiro mundo”; um cinema “perigoso, divino, maravilhoso”. A aposta da curadora Graziela Kunsch é que podemos encontrar pistas desse cinema nessa produção, configurando um outro cinema “brasileiro”. Além das sessões nos dias 2, 3 e 4/11, que contaram com a presença de alguns dos realizadores para debates (Andrea Tonacci, Mari Corrê e Maria Thereza Alves), cópias em DVD dos filmes ficaram disponíveis para visualização e estudo na midiateca do museu durante todo o mês de novembro, com uma pequena biblioteca e textos críticos escolhidos. O seminário foi dividido em duas mesas temáticas: “Representação do ‘outro'” (Paula Morgado e Beatrice von Bismarck) e “Relação com o ‘outro'” (Shirley Krenak e Rosângela Pereira de Tugny) e teve a mediação de Graziela Kunsch.

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22/10/2012

O Instante Utópico: Nuanças e a literatura de Mario Peixoto

Exposição de Geraldo Blay (UNESP, mestre). Com exibição de Nuanças (2011) dirigido por G. Blay e baseado no romance de Mário Peixoto O inútil de cada um.

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15/10/2012

Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi: pequeno estudo analítico

Exposição de Felipe de Moraes (ECA, mestre).

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1/10/2012

Estética e política no cinema de Pedro Costa: a construção da figura do imigrante

Exposição de Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos (CTR/ECA-USP, pós-doutora e UNIFESP, professora doutora).

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31/8/2012

Início do Grupo de estudos, Teoria estética, começando pela “Introdução primeira”.

Com 11 encontros no semestre, continuação em 14, 21 e 28/9, 5, 12, 26/10, 9, 23, 30/11, 7/12/2012. O Grupo oscilou entre 5 e 10 participantes, mediado sempre por Rubens Machado Jr., auxiliado por Nicolau Bruno (ECA, doutorando), entre os mais assíduos figuraram: Yanet Aguilera (UNIFESP, professora doutora), Felipe de Morais (ECA, mestre), Geraldo Blay Roizman (UNESP, mestre), Fernando Rodrigues Frias (PROLAM-USP, mestrando), Thiago Gil (CAP/ECA, mestre), Gabriela Wondracek Linck (ECA, mestranda), Juliana Froehlich (Psicologia/USP, mestranda), Fábio Camarneiro, (ECA, doutorando).

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6/8/2012

Encontro para a programação das atividades do semestre, agendamento do Seminário livre, e criação do “Grupo de Estudos Teóricos sobre Vanguarda e Experimentalismo” pautado inicialmente na leitura da Teoria estética de Theodor Adorno.

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26/6/2012

Conversa sobre os filmes do Carlão

Mesa redonda com as falas “Anjos do arrabalde e o espaço periférico” (Rubens Machado Jr.), “O espaço comunitário e o ator em Carlos Reichenbach” (Geraldo Blay, UNESP, mestre), “Reichenbach: o heterogêneo como síntese” (Felipe de Moraes, ECA, mestre), “A mística em Reichenbach” (Fábio Camarneiro, ECA, doutorando), e exibição do filme Equilíbrio e graça. 19h, sala 223, CTR/ECA-USP.

Quatro artigos escritos a partir do debate, dois de Camarneiro, um de Felipe e um de Geraldo seriam publicados em dossiês das revistas Rebeca, e Laika:

Roizman, Geraldo Blay. “Carlos Reichenbach: o lugar da convivência possível”, Laika, v. 1, nº 2, dezembro de 2012, disponível em <http://www.revistalaika.org/carlos-reichenbach-o-lugar-da-convivencia-possivel>, acessado em 16/5/2013.

Camarneiro, Fábio. “Equilíbrio e graça: cinema total, Reichenbach e o gnosticismo”, Rebeca, revista brasileira de estudos de cinema e audiovisual nº2, Julho-Dezembro 2012, disponível em <http://www.socine.org.br/rebeca/pdf/2_16.pdf>, acessado em 5/3/2013. [issn 2316-9230]

Moraes, Felipe. “Da boca pra fora: algumas palavras sobre o cinema de Carlos Reichenbach”, Rebeca, revista brasileira de estudos de cinema e audiovisual nº2, Julho-Dezembro 2012, disponível em <http://www.socine.org.br/rebeca/pdf/2_17.pdf>, acessado em 5/3/2013. [issn 2316-9230]

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12/6/2012

Imagens em movimento sem teto: estéticas de resistência anticapitalistas contemporâneas.

Mesa redonda com os realizadores: Cristina Beskow (realizadora e mestranda ECA), Flávio Galvão (realizador) e Nicolau Bruno (realizador e doutorando ECA). Mediação: Fernando Rodrigues Frias (mestrando, PROLAM-USP).

Sessão, 19-20h00: “Massacre do Pinheirinho: a verdade não mora ao lado” (2012, 16’) Coletivo de Comunicadores Populares (Este vídeo revela os jogos de interesses na expulsão dos 9.000 moradores da ocupação Pinheirinho, de 8 anos, em São José dos Campos. Traz, também, imagens do dia da desocupação, 22/01, e depoimentos sobre a truculência policial), http://www.youtube.com/watch?v=NBjjtc9BXXY. “Natureza Morta do Pinheirinho” (2012) Coletivo de Comunicadores Populares (O vídeo retrata a barbárie cometida contra os moradores do Pinheirinho. O Coletivo de Comunicadores Populares retorna ao terreno onde moravam 9 mil pessoas e se depara com os destroços das casas e suas memórias. Um dos moradores dá seu depoimento de revolta), http://www.youtube.com/watch?v=bUakbj5bhXM. “O Pinheirinho é do povo! Crônicas do terrorismo de Estado” (2012, 12’) Coletivo Los solidários, http://www.youtube.com/watch?v=nEuGR0SBrjE. Excertos: “Força Tática Pinheirinho” (2012), http://www.youtube.com/watch?v=QpnQVqasMgw, “Novo Pinheirinho Embú MTST” (2012), http://vimeo.com/38359158.

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29/5/2012

Balanço e perspectivas das atividades 2011-2012 do grupo de pesquisa “História da experimentação no cinema e na crítica”. Programação do segundo semestre, com a proposta da formação de um “Grupo de Estudos Teóricos sobre Vanguarda e Experimentalismo” como atividade paralela aos Seminários Livres.

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24/5/2012

Diálogos Estéticos: Arte e cinema, no Paço das Artes, que recebe Eliseu Lopes Filho e Rubens Machado Jr. para o terceiro encontro do ano, moderação Priscila Arantes.

Na conversa, Eliseu Lopes Filho irá abordar o experimentalismo que se tornou linguagem cinematográfica – a vanguarda do cinema, antes do cinema de vanguarda. Será uma investigação sobre os cineastas pioneiros, que ampliaram, por pura intuição e experimentalismo, as possibilidades narrativas do cinema até se chegar à criação da linguagem cinematográfica. São eles: Dickson, Reynaud, Smith, Lumière, Zecca e Georges Méliès, principalmente. Estes artistas transformaram meros registros de acontecimentos que se desenvolviam diante da câmera em uma linguagem específica, que pôde ser quebrada novamente a partir da década de 20 pelos movimentos artísticos ligados às artes plásticas. Rubens Machado, por sua vez, irá falar sobre o filme Nada levarei quando morrer aqueles que mim deve cobrarei no inferno (1981), de Miguel Rio Branco – obra conhecida no circuito artístico, mas ignorado no cinematográfico. O filme se apoia num entranhado processo de uso da câmera na mão que se desenvolveu na tradição do moderno cinema brasileiro, compreendendo o Cinema Novo, o Marginal e o experimentalismo superoitista. Na Bienal de 2010 a fita estabelece um diálogo rico com um conjunto de trabalhos dispostos naquele espaço, incluindo, entre outros, Jean-Luc Godard, Steve McQueen, Graziela Kunsch e Antonio Manuel. Paço das Artes.

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21/5/2012

Fin de la révolution et fin de la fin de l’art?

Exposição de Anselm Jappe, atividade do DESFORMAS, Centro de Estudos Desmanche e Formação de Sistemas Simbólicos. Sala 8 da FFLCH-USP.

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17/5/2012

Alegoria e temporalidade em Câncer, de Glauber Rocha.

Exposição de Paulo Yasha (Filosofia/FFLCH-USP, mestrando).

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8/5/2012

Estratégias da crítica em Anatol Rosenfeld e Roberto Schwarz.

Exposição de Priscila Figueiredo (FFLCH-USP, pós-doutoranda) a partir do seu artigo, “Anatol Rosenfeld, figura de Roberto Schwarz” (in: Cevasco, Maria Elisa; Ohata, Milton. (orgs.). Um Crítico na Periferia do Capitalismo: reflexões sobre a obra de Roberto Schwarz. São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

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3/5/2012

Um pátio na rampa: organização do espaço, análise comparativa e o problema da descrição nos filmes iniciais de Glauber e Paulino.

Exposição de Rubens Machado Jr., análise de O Pátio e Um dia na rampa (texto: Machado Jr., Rubens. “O Pátio e o cinema experimental no Brasil: apontamentos para uma história”, in: Castelo Branco, Edwar. (org.) História, Cinema e outras imagens juvenis. Teresina: EDUFPI, 2009, pp. 11-24).

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17/4/2012

Análise fílmica, ensaio e experiência estética: alternativas da crítica e migração de conceitos.

Exposição de Rubens Machado Jr.

Discutiremos o trabalho do nosso grupo a partir de uma exposição de Rubens sobre crítica e análise fílmica, baseada nas falas que apresentou nas duas últimas Socine (texto: Machado Jr., Rubens. “É tudo história”, resenha de Cinematógrafo: Um olhar sobre a história, Mais!, Folha de S. Paulo 20/9/2009, p. 7).

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14/4/2012

Batepapo: Agrippino Cinema de Invenção

Após exibição dos filmes, o crítico de cinema e professor da USP Rubens Machado Jr. media bate-papo entre os cineastas Miriam Chnaiderman e Hermano Penna e o crítico de cinema Christian Petermann onde será discutida e analisada a obra fílmica de Agrippino de Paula. Sala de Espetáculo II, SESC Belenzinho.

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10/4/2012

Projeto Mutirão, exposição de Graziela Kunsch (ECA, doutoranda), sobre o seu trabalho selecionado na última Bienal.

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13/3/2012

Artaud X Dulac, debate do filme A Concha e o Clérigo de Germaine Dulac e dos textos de Artaud , criticando a adaptação do seu roteiro.

Expositor Felipe de Moraes (Artaud, Antonin. A Concha e o Clérigo: roteiro de um filme. in: Linguagem e Vida, São Paulo, Perspectiva, 2011), e de Albera, analisando o filme (in: Albera, François. L’Avant-garde au cinéma. Paris : Armand Colin, 2005).

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07/3/2012

Seminário das Quartas, coordenação de Paulo Eduardo Arantes, debate do filme Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci.

Exposição de Anderson Gonçalves (Filosofia/FFLCH-USP) na sala 113, Filosofia, FFLCH-USP.

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16 e 28/2/2012

“Debate do texto ‘Cinema experimental’, de Siegfried Kracauer”, moderador Rubens Machado Jr.

Dois Seminários em torno dos textos básicos do experimental, partindo do Kracauer, “El Cine Experimental” (capítulo de Theory of Film). Vimos depois O Entreato (1924), um filme central do texto, ampliando a leitura com o capítulo do François Albera falando do filme. E depois com Antonin Artaud falando do filme da Germaine Dulac, A concha e o clérigo (1926).

Bibliografia disponibilizada:

Kracauer, S. “Cine Experimental”, Teoría del cine. Barcelona: Paidós, 2001, pp. 225-245.

Kracauer, S. “Le film experimental”, Théorie du film. Paris : Flammarion, 2010, pp. 257-280. <http://www.4shared.com/office/ka5w5_9T/KRACAUER_S_Le_film_experimenta.html>.

O nº54 da New German Critique (1991) é dedicado ao Kracauer, envio aqui estes textos da revista:

Hansen, Miriam. “Decentric Perspectives: Kracauer’s Early Writings on Film and Mass Culture” (pp. 47-76)

Schlüpmann, Heide; Gaines, Jeremy. “The Subject of Survival: On Kracauer’s Theory of Film” (pp. 111-126)

Adorno, Theodor W.; Nicholsen, Shierry Weber. “The Curious Realist: On Siegfried Kracauer” (pp. 159-177)

Vedda, Miguel; Machado, Carlos Eduardo Jordão. (orgs.) Siegfried Kracauer: un pensador más allá de las fronteras. tr. Esteban Ruiz. Buenos Aires: Gorla, 2010, 256 p.

Despoix, Philippe ; Perivolaropoulou, Nia. (orgs.) Culture de masse et modernité: Siegfried Kracauer sociologue, critique, écrivain. Paris : Ed. de la Maison des sciences de l’homme, 2001. <http://books.google.com.br/books?id=ZAQSRuUCoQIC&pg=PA233&dq=leutrat+kracauer&hl=pt-BR&sa=X&ei=eEFGT7iPNMT_ggfWmLX4DQ&ved=0CEYQ6AEwAw#v=onepage&q=leutrat%20kracauer&f=true>.

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